18:11 20 Outubro 2018
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    Combatentes das Forças Democráticas da Síria com armas nas mãos perto de veículos militares em Raqqa, Síria

    Entenda os resultados alcançados até agora nas negociações sírias em Genebra

    © REUTERS / Rodi Said
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    A oitava rodada das negociações sírias em Genebra começou em 28 de novembro com a recém formada delegação da oposição unificada. Porém, as diferenças entre a oposição e o governo tornaram-se ainda mais evidentes.

    As negociações foram congeladas pelo menos até terça-feira, aparentemente para dar aos dois lados a chance de voltar para a Suíça com compromissos mais estruturados. Até agora, a rodada tem sido notável por se transformar gradualmente em uma "guerra de todos contra todos".

    GOVERNO VS OPOSIÇÃO

    A contradição entre a delegação do governo em Genebra, liderada pelo Representante Permanente da Síria para as Nações Unidas em Nova York, Bashar Jaafari e o lado da oposição, composto por várias plataformas, é bem conhecida: a oposição insiste que o atual presidente Bashar Assad "deve sair”, condição considerada inaceitável pelo governo.

    O time da oposição fez um esforço: finalmente formaram uma delegação unificada para as conversas. Anteriormente, várias plataformas de oposição estavam brigando entre si, recusando-se a reconhecer o direito de existir uns aos outros. Como não havia contrapartida nas negociações e nenhuma delegação com a qual negociar, o governo apenas permanecia lutando.

    No entanto, de 22 a 23 de novembro, numerosas plataformas de oposição sírias realizaram uma extensa conferência em Riade e conseguiram criar uma equipe de negociações única, compilada pelos representantes da Coalizão da Síria, do Comitê Nacional de Coordenação, das plataformas de Moscou e do Cairo, além de independentes. Eles também elaboraram um documento detalhado de políticas e um programa de negociações. Eles mantiveram seus principais requisitos — a renúncia do presidente Assad no início do período de transição e a saída polícia militar iraniana do país.

    Pode-se esperar conversas diretas, com ambos os lados finalmente tendo objetivos claros. No entanto, a equipe do governo não demonstrou nenhum desejo de diálogo. Jaafari e outros membros da delegação chegaram a Genebra um dia depois que as negociações começarem.

    Falando aos jornalistas apenas uma vez após o encontro com o Enviado Especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, Jaafari acusou a oposição de estabelecer pré-condições para as conversas e chamou o comunicado de Riade-2 de uma clara provocação e irresponsabilidade, "minando o caminho de Genebra-8". Ele saiu de Genebra para consultas em Damasco e disse que "verá" se deve retornar ou não. A oposição, por sua vez, chamou a partida do governo de uma demonstração de irresponsabilidade e pré-condições para as negociações.

    ONU e SÍRIOS

    De Mistura tentou recuperar o controle sobre a situação. No final da quarta-feira, ele emitiu uma declaração didática, na qual lembrou seus anteriores "pedidos de que as delegações que participam nas negociações se abstenham de deslegitimar outros convidados" e "tendo notado declarações inúteis nos últimos dias", exortou os lados a interromper tal comportamento.

    Incapaz de persuadir os lados a terem um diálogo direto, Mistura tentou uma nova e mais intensa estratégia de mediação: deslocando entre os dois quartos apenas a cinco metros um do outro, onde as delegações ficaram. No entanto, as negociações foram suspensas pelo menos até 5 de dezembro, quando os convidados deverão reunir-se novamente e continuar os esforços para encontrar uma solução pacífica para a guerra civil síria.

    MOSCOU, DAMASCO VS DE MISTURA

    Jaafari disse a repórteres antes de deixar que Mistura tivesse excedido seu mandato como mediador, propondo seu próprio documento sobre o acordo sírio.

    "Não estamos negociando com um mediador, mas através dele. Não nos opomos ao conteúdo do documento, mas à forma", disse Jaafari.

    O embaixador da Rússia no escritório da ONU em Genebra, Alexey Borodavkin disse no primeiro dia das negociações que tinha poucas esperanças quanto a  Genebra-8, já que Moscou tinha preocupação sobre o formato e a composição dos participantes, o que significa inclusão na delegação da oposição daqueles que têm uma abordagem "não construtiva" e "desapegada das realidades sírias", de acordo com o enviado.

    Ainda assim, Moscou apoia a intenção de Mistura de continuar essa rodada de conversas e espera que "o bom senso vença entre os delegados da oposição, que consigam ver as realidades políticas e militares na Síria e corrigir sua posição, elaborar abordagens para as negociações, em vez de repetir demandas radicais inúteis", disse Borodavkin.

    Ainda é cedo demais para dizer se Mistura conseguiu algum sucesso ou falhou em Genebra-8. Na próxima semana, o enviado especial continuará com conversas diplomáticas.

    Tags:
    Genebra-8, ONU, Alexey Borodavkin, Bashar Jaafari, Staffan de Mistura, Bashar Assad, Suíça, Genebra, Nova York, Síria, Moscou
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