09:53 17 Agosto 2019
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    Reunião para discutir o processo de paz na Síria no escritório da ONU em Genebra, Suíça (foto de arquivo)

    Entenda por que oposição e governo sírios não vão negociar diretamente em Genebra

    © AFP 2019 / FABRICE COFFRIN
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    O negociador da Delegação Conjunta da Oposição na oitava rodada das negociações em Genebra, Mohannad Dlykan disse à Sputnik sobre o atual estado das discussões relativas a um processo de paz na Síria não devem permitir tratativas diretas com o governo de Assad nesta semana.

    As negociações diretas entre a oposição e o governo sírio são improváveis na oitava rodada de negociações de Genebra porque alguns membros da delegação da oposição ainda insistem em condições prévias irrealistas, disse o negociador da delegação conjunta da oposição Mohannad Dlykan à Sputnik.

    "Não creio que haja muitas esperanças de negociações diretas nesta rodada. Existem alguns obstáculos. Uma delas é que as negociações diretas ainda não começaram por causa das condições prévias que alguns grupos da delegação da oposição ainda estabelecem. É agora a maior dificuldade e problema", disse Dlykan.

    Ele observou que, assim que as condições prévias sejam deixadas de lado, os lados poderiam realizar negociações sobre tudo, incluindo a posição da oposição quanto ao futuro do presidente sírio, Bashar Assad.

    "Eu acho que os Estados que os patrocinam [elementos da oposição] para pressioná-los para fazê-los voltar à na realidade. Principalmente a Turquia e a Arábia Saudita. A solução não é apenas mudar as pessoas [a composição da delegação], mas sim mudar a mentalidade", disse Dlykan.

    "O [Enviado especial da ONU para a Síria Staffan] De Mistura está tentando fazer algum tipo de progresso nas negociações, iniciando negociações diretas com questões que não causam muitos problemas. E a próxima etapa pode avançar para os outros tópicos", observou Dlykan.

    Na terça-feira, o Representante Permanente da Rússia nas Nações Unidas em Genebra, Alexey Borodavkin, observou que alguns membros da delegação da oposição unificada demonstram uma abordagem não construtiva das negociações, estabelecendo pré-condições pouco realistas, como a renúncia de Assad no início do período de transição e a remoção da polícia militar iraniana do território sírio.

    A unidade entre grupos de oposição foi formada no Acordo de Lausanne, que se concentra no processo constitucional e nos 12 princípios que descrevem o futuro da Síria, acrescentou o negociador da plataforma de Moscou.

    "E também temos a resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU. Nós pensamos que esses dois [termos] podem formar resultado mais desejado e o resultado mínimo necessário para as negociações", afirmou o negociador.

    A oitava rodada de negociações de Genebra sobre o acordo sírio começou na terça-feira. Vários grupos da oposição síria conseguiram forjar uma delegação única há muito aguardada para as conversas de Genebra-8 após conferência em Riade.

    A delegação é composta por representantes da Coalizão da Síria, do Comitê Nacional de Coordenação, das plataformas de Moscou e do Cairo, grupos armados (Frente Sul) e independentes, somando 36 pessoas. Só a oposição nomeou uma equipe de 18 negociadores para Genebra-8 — três de cada um dos seis grupos.

    Tags:
    Acordo de Lausanne, Resolução 2254, Representação Permanente da Rússia nas Nações Unidas em Genebra, Frente Sul, Comitê Nacional de Coordenação, Coalizão Nacional da Síria, Conselho de Segurança da ONU, Sputnik, ONU, Alexey Borodavkin, Mohannad Dlykan, Stefan de Mistura, Bashar Assad, Cairo, Genebra, Turquia, Arábia Saudita, Síria, Moscou
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