19:59 23 Novembro 2020
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    'Transição sem sangue' no Zimbábue (19)
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    O novo presidente zimbabuano, em vez do demitido Robert Mugabe, será o ex-vice-presidente Emmerson Mnangagwa de 75 anos. Espera-se que já na sexta-feira (24) ele preste juramento como o líder do país. Vai desempenhar as funções presidenciais até o fim do mandado de Mugabe, isto é, até agosto de 2018, depois haverá eleições presidenciais.

    Na sequência do golpe, o presidente zimbabuano, que permaneceu no poder durante 37 anos, se demitiu. Foi o afastamento do poder de Mnangagwa em 6 de novembro que catalisou os recentes acontecimentos no país. Depois de Mugabe, a pedido da sua esposa Grace, ter demitido Mnangagwa, a população e os militares viram isto como meio de ela se tornar sucessora de Mugabe.

    A história do apelido "crocodilo" é a seguinte. Mnangagwa era um dos companheiros mais próximos de Mugabe na luta de guerrilha contra o governo da minoria branca de Ian Smith. Nos anos 60, ele integrava o grupo de diversão Crocodile Gang (Bando de Crocodilo) no leste da Rodésia do Sul (nome antigo do Zimbábue). O grupo de Mnangagwa transportava armas e militantes aos destacamentos guerrilheiros no sul da Rodésia.

    Para o cargo de vice-presidente Mnangagwa foi nomeado em 2014, e era considerado o provável sucessor do presidente, já de idade avançada. Contudo, a esposa de Robert Mugabe, Grace, que tinha pretensões ao posto mais alto do país, apelou ao marido para ele demitir o seu vice por alegado planejamento de um golpe.

    Por isso, em 6 de novembro, Mugabe demitiu Mnangagwa, que deixou o país por razões de segurança. Isto desencadeou uma crise política no país porque os militares não viam Grace como futura presidenta.

    Em 21 de novembro, o presidente do parlamento zimbabuano, Jacob Mudenda, declarou que o partido governante, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF, na sigla em inglês), apresentou a candidatura do ex-vice para o cargo presidencial. Segundo a Constituição do país, o partido que tem maioria no parlamento pode nomear o seu presidente até ao fim do mandato presidencial do antecessor.

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    'Transição sem sangue' no Zimbábue (19)

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    Tags:
    apelido, juramento, militares, golpe, renúncia, demissão, Robert Mugabe, Zimbábue
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