07:57 18 Novembro 2017
Ouvir Rádio
    Desfile militar do Irã

    Estes são os cenários militares que Washington poderia aplicar contra o Irã

    © AFP 2017/ CHAVOSH HOMAVANDI
    Oriente Médio e África
    URL curta
    214372324

    Os Estados Unidos parecem estar cada vez mais determinados a sair do acordo nuclear com o Irã, embora Teerã esteja cumprindo seus compromissos. Aqueles que criticam o acordo fundamentam que os EUA devem se concentrar em "mudar o regime" em Teerã.

    Em um artigo para a edição The National Interest, o cientista político Robert Farley analisa as implicações de um possível confronto entre os EUA e o país do Oriente Médio.

    Os mesmos críticos argumentam que, enquanto o atual regime iraniano existir, o Irã "continuará tentando minar a estabilidade e a ordem no Oriente Médio", de forma aberta ou clandestina, "independentemente dos limites estabelecidos pelos acordos bilaterais e multilaterais", escreve Farley.

    Esse desejo de mudar o governo do Irã não é difundido apenas nos Estados Unidos. Israel, que aplaudiu a decisão do presidente estadunidense, Donald Trump, de sair do acordo, concorda com a hipótese de um golpe de Estado em Teerã. Já a Arábia Saudita, seu rival geopolítico, também não se opõe a este passo, ressalta o autor.

    Mas, ao mesmo tempo, até os oponentes mais duros de Teerã reconhecem que tal campanha traria "poucos sucessos" e seria muito dispendiosa. Então, o que está em jogo para os Estados Unidos em uma possível guerra contra o país persa?

    Invadir do país

    "Uma maneira de mudar o regime seria invadir o Irã e ditar seus termos e condições", reconhece Farley.

    Mas, para isso, os Estados Unidos devem derrubar o regime pela força das armas e para tal são necessárias bases militares na região, algo que Washington não tem nesta área.

    "O exército dos Estados Unidos poderia implantá-las no Iraque, mas isso significaria mudar igualmente o atual governo de Bagdá com o uso da força", continua o especialista.

    Os americanos também poderiam entrar no Irã por meios anfíbios, mas isso "deixaria as forças dos EUA em uma posição muito vulnerável" perante o arsenal de mísseis balísticos de Teerã.

    Sufocar o país com sanções

    "Uma das críticas principais ao acordo nuclear com o Irã, expressas pelos apoiantes da mudança de regime, é que, passado algum tempo, o regime de sanções introduzido pelos Estados Unidos poderia conduzir ao colapso da República Islâmica. Essa asfixia poderia gerar um descontentamento popular suficiente e necessário", explica Farley.

    Os EUA também poderiam incentivar esse colapso através de uma política de estrangulamento não somente militar, mas também econômica.

    "Durante as primeiras etapas da campanha, [os EUA] se focariam em atacar a infraestrutura militar iraniana, o que causaria danos consideráveis, apesar do país ter um sistema de defesa aérea, que também seria atacado. As forças navais e aéreas também ficariam bastante danificadas. Neste ponto, os EUA poderiam atacar a economia iraniana, incluindo as instalações de petróleo e a infraestrutura de transporte, o que acabaria por destruir a economia petroleira iraniana", afirmou.

    No entanto, tais ataques levariam a questionar a política externa estadunidense e o direito internacional, adverte Farley.

    "Os EUA poderiam se defender dizendo que a infraestrutura que está na base da economia do Irã representa uma ameaça legítima […] mas seria difícil para eles "vender" isso [para a comunidade internacional], especialmente devido a inevitáveis vítimas civis", argumentou.

    Ao mesmo tempo, os EUA poderiam patrocinar, armar e treinar a oposição interna do país persa, incluindo combatentes recrutados no Curdistão, teoriza o autor.

    A possível resposta dos aiatolás

    Mas o Irã não ficaria de braços cruzados, adverte.

    "O país poderia responder com esforços para desestabilizar o Iraque e o Afeganistão, usando o poder que continua mantendo nesses territórios", disse.

    Através dos grupos que o país persa controla fora do país, ele poderia atacar os aliados dos EUA ou, sem precisar ir tão longe, usar seu grande arsenal de mísseis balísticos para atacar bases, navios e instalações militares dos aliados estadunidenses.

    "No entanto, o mais provável é que o Irã simplesmente aguarde, esperando que a posição negativa da comunidade internacional em relação à campanha dos EUA acabe com sua beligerância", reflete Farley.

    Deste modo, afirma o analista, parece improvável que uma mudança de regime acabe bem. O mais provável é que tais tentativas causem ainda mais problemas. Ademais, qualquer ataque contra o Irã faria com que os Estados Unidos não tivessem o apoio internacional necessário para tal campanha. A incerteza sobre uma intervenção militar não é favorável e os Estados Unidos não têm hoje em dia o apoio internacional a esse respeito.

    Mais:

    Revelada nova estratégia da Casa Branca para conter Irã
    Poderá Força Aérea do Irã vencer aviões dos EUA em uma guerra?
    Trump não certifica acordo nuclear com o Irã e acusa Teerã de 'patrocinar o terrorismo'
    Moscou lamenta a decisão de Trump de não certificar acordo nuclear com o Irã
    Irã promete ensinar 'novas lições' aos EUA que 'só entendem xingamentos'
    Tags:
    sanções, invasão, Donald Trump, Afeganistão, Iraque, EUA, Irã
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik