08:27 21 Outubro 2017
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    Os efetivos do o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (CGRI) durante um desfile militar (foto de arquivo)

    Erro crasso: que sucederá se Trump ousar se lançar em verdadeira guerra com Teerã

    © AP Photo/ Vahid Salemi
    Oriente Médio e África
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    A possível saída estadunidense do acordo nuclear com o Irã pode não ser o último gesto hostil em relação à república islâmica. O colunista da Sputnik, Vladimir Ardaev, explica o que Washington pretende alcançar ao provocar os aiatolás iranianos.

    De acordo com o autor, os analistas, inclusive ocidentais, avisam que, caso Washington cumpra sua ameaça de incluir o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (CGRI) na lista de organizações terroristas, isto significará, de fato, a proclamação de uma grande guerra política contra Teerã, com todas as consequências graves.

    Enquanto isso, a maioria dos parceiros comerciais e econômicos do Irã em todo o mundo ficarão sob ameaça de novas sanções, realça Ardaev.

    Todos pela mesma medida

    A hipótese de que o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica seja proclamado como organização terrorista foi ouvida ainda várias semanas atrás e voltou a soar há pouco tempo. Porém, dentro dos próprios EUA logo surgiram preocupações sobre o elevado risco relacionado com tal passo, inclusive dentro do Departamento da Defesa e da CIA.

    Os especialistas em segurança internacional avisam a administração de Trump que se uma instituição militar de elite do Irã, influente nas esferas política e econômica, ficar na mesma lista que a Al-Qaeda e o Daesh, organizações terroristas proibidas na Rússia e em vários outros países, isso poderia agravar a situação na Síria, no Iraque, no Afeganistão, no Líbano, no Iêmen e em outros "pontos quentes".

    "O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica e o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centkom) foram aproximadamente na mesma altura, no limiar das décadas de 70 e 80 do século passado. Naqueles dias, na zona do golfo [Pérsico] se desencadeou a primeira guerra — entre o Irã e o Iraque. Ambas essas forças, tanto o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, quanto o Centkom, começaram travando operações militares fora dos seus países. Hoje em dia, a zona de responsabilidade do Centkom abrange o Oriente Médio, África do Norte e Ásia Central, ou seja, fica perto da fronteira iraniana. Além disso, ela se cruza com a zona de atuação da Força Quds, unidade especial do Corpo responsável pelas operações no exterior", explica Ardaev.

    Além disso, ambas as forças tomam uma parte ativa das operações terrestres contra jihadistas na Síria e no Iraque, ou seja, combatem o mesmo inimigo. De acordo com o colunista, caso Washington realmente ouse classificar o Corpo como uma organização terrorista, isto "pouco mudará" o retrato do conflito, que já é muito multifacetado.

    "Mas quanto a qualquer tipo de cooperação, a nível diplomático ou militar, entre as forças combatentes que, de fato, estão do mesmo lado, esta pode ser esquecida para sempre. Além disso, surge o perigo real de confrontos armados. Mas mesmo que tal não suceda, isso não contribuirá de maneira alguma para a estabilização na região e uma maior eficiência na luta contra as organizações terroristas islâmicas", frisa o autor.

    Quem é o beneficiário?

    Entretanto, as possíveis consequências de tal decisão por parte da Casa Branca não se limitam apenas à região do Oriente Médio.

    Primeiro, o Corpo é uma instituição estatal e uma parte integrante das Forças Armadas iranianas. Assim, caso as tropas de maior elite de um país inteiro passem a ser classificadas de terroristas, bem como seus efetivos, isto, de fato, provocará uma espécie de guerra entre os EUA e o Irã, acredita o especialista do Centro de Estudos do Oriente Médio e Ásia Central, Semen Bagdasarov.

    "Não será uma guerra na qual se travam combates", será uma guerra clandestina, ou seja, a dos serviços secretos, que abrange, particularmente, o apoio dado aos movimentos separatistas curdos, sunitas ou balúchis no Irã, assinala o especialista.

    "Já faz muito que algumas estruturas curdas e azeris no Ocidente se manifestam a favor de proclamar o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica como uma organização terrorista. A coisa é que, nesse caso, eles vão adquirir uma oportunidade quase legal de obter novos meios para lutar contra o CGRI que, por sua vez, está também encarregado de combater o separatismo", adianta Bagdasarov.

    De acordo com o analista, os principais responsáveis por tal iniciativa da administração Trump são os lobbys israelenses. Não é de estranhar, pois os construtores da política externa iraniana costumam classificar nomeadamente os EUA e Israel como principais inimigos do país, enquanto a liderança do CGRI pertence aos círculos principais do establishment político iraniano.

    "O próximo passo da administração Trump bem pode ser a proclamação de todo o Irã como terrorista internacional. E isso já é um passo em direção a uma guerra real", acredita o diretor do Instituto Internacional de Análise Política, Yevgeny Minchenko.

    Apenas sanções novas

    O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, na verdade, é um dos pilares do regime iraniano.

    "A política de Trump no Oriente Médio se torna cada vez mais imprevisível, e fica cada vez mais difícil analisá-la e prognosticar quais consequências acarretaria mais uma medida nova por parte da Casa Branca", acredita o analista principal do Departamento do Oriente Médio do Instituto de Estudos Orientais da Academia de Ciências da Rússia, Kirill Vertyaev.

    Yevgeny Minchenko ressalta, sobretudo, que o CGRI não é apenas uma força militar e política influente no Irã, mas também um ator sério na esfera da economia. A entidade possui uma série de grandes empresas, mas, de fato, a sua influência sobre os empresários iranianos vai muito além delas: na verdade, quase nenhum grande acordo comercial no país se celebra sem participação dela.

    Deste modo, a "estigmatização" do CGRI como organização terrorista tocaria também interesses no Ocidente.

    Bagdasarov, por sua vez, assinala que novas medidas contra Teerã poderiam levá-la a se aproximar de outros países, tais como a Rússia e a China.

    "Por um lado, é um fator positivo para Moscou. Por outro, isto dará a Washington mais uma oportunidade de voltar a acusar o Kremlin de apoiar os regimes terroristas", resumiu.

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    Tags:
    terrorismo, conflito armado, Daesh, Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, Donald Trump, Síria, EUA, Irã
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