21:47 23 Outubro 2018
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    Secretário de Estado norte-americano James Mattis gestures durante a conferência de imprensa sobre a campanha contra o Daesh no Pentágono, Washington, 19 de maio de 2017

    Irã e líderes dos EUA criticam intenção de Trump de abandonar Acordo Nuclear

    © REUTERS / Yuri Gripas
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    A intenção de Donald Trump de abandonar Acordo Nuclear de 2015 foi duramente criticada pelos líderes iranianos e por membros da própria administração norte-americana no mesmo dia.

    Durante o seu discurso na Assembleia Geral da ONU, Trump atacou o Irã em seu estilo bombástico, chamando o Irã de "Estado-vilão economicamente falido, cujos líderes exportam violência, derramamento de sangue e caos".

    Além disso, Trump chamou o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), o Acordo Nuclear com o Irã de 2015, assinado pelo ex-presidente Barack Obama, de "uma das piores e unilaterais transações da história dos EUA", falando sobre seu desejo de abandoná-lo.

    O premiê iraniano, Mohammad Javad Zarif, criticou Trump por ele subestimar o Acordo Nuclear. Ele adicionou que a saída dos EUA do Acordo "tornaria mais difícil de acreditar e confiar nos EUA, qualquer um, não apenas a Coreia do Norte. Vocês ouviram aliados dos EUA dizendo que eles não são um parceiro confiável".

    "Europeus deixaram muito claro para nós e para os EUA que planejam fazer de tudo para salvar o Acordo", frisou Javad Zarif.

    Os comentários de Javad Zarif são uma prova do pivô da retórica mais beligerante usada pelo Irã durante a presidência de Mahmoud Ahmadinejad – ex-líder famoso por apoiar teorias de conspiração sobre o holocausto e ataque de 11 de setembro de 2011.

    Por exemplo, Javad Zarif somente disse que os comentários explosivos de Trump na Assembleia Geral "não merecem resposta", enquanto seu líder, o presidente Hassan Rouhani, disse estar "imobilizado pelas ameaças e intimidações" em seu próprio discurso, e que seria “muito lamentável se o Acordo fosse destruído por vilões novinhos no mundo da política".

    Em Washington, o homólogo de Javad Zarif e o secretário de Estado de Trump, ex-general do Corpo de Fuzileiros Navais, James Mattis, declaram a importância de os EUA permanecerem no Acordo. "É algo que o presidente deve guardar", declarou Mattis perante o Comitê para Serviços Armados do Senado na terça-feira (3). Ele acha que permanecer no Acordo é interesse da segurança nacional.

    O chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, general Joe Dunford, figura mais importante no mundo militar dos EUA, disse que o Irã "não está violando" o acordo e que o Estado-Maior "adiou o desenvolvimento das capacidades nucleares do Irã", como previsto.

    Durante a campanha eleitoral, o candidato Donald Trump se pronunciava contra o Plano de Ação Conjunto Global, chamando-o de mau acordo que favorecia o Irã. Teerã "ria sobre a estupidez do acordo na área nuclear", disse Trump no verão de 2015. "Temos que duplicar e até triplicar as sanções. Eles estão fazendo um acordo perfeito".

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    Tags:
    Plano Abrangente de Ação Conjunta, acordo nuclear, James Mattis, Mahmoud Ahmadinejad, Mohammad Javad Zarif, Barack Obama, Donald Trump
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