11:57 19 Novembro 2017
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    Militar norte-americano no Afeganistão, foto de arquivo

    Afegãos têm mais medo das operações dos EUA e OTAN que dos talibãs

    © AP Photo/ Maya Alleruzzo
    Oriente Médio e África
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    Políticos afegãos acreditam que a população civil sofre mais por causa da presença estrangeira do que às mãos do Talibã (grupo terrorista, proibido na Rússia).

    O ataque de um helicóptero da OTAN contra o grupo extremista Talibã no leste do Afeganistão matou 11 civis e feriu mais 16, nenhum deles era terrorista.

    Como destacou o analista militar e deputado pela província de Cabul Haji Ullah Gol Mujahid, os afegãos receiam mais o exército dos EUA do que o Talibã.

    "Depois da derrota do Talibã, as pessoas não queriam a guerra, mas ela continuava por causa das ações dos EUA: eles invadiam casas, bombardeavam povoados e até lançavam bombas contra cortejos nupciais, dizendo depois que tudo isso foi feito pelo Talibã", declarou o deputado à Sputnik Dari.

    Ele sublinhou que ninguém quer a presença estrangeira no Afeganistão: os moradores locais nunca viram nada de bom da parte dos americanos e não querem que eles fiquem no seu território.

    Obaid Kabir, um dos líderes do partido Solidariedade do Afeganistão, por sua parte, notou que o Afeganistão hoje se encontra "num moinho entre três pedras".

    "Elas são os invasores americanos e seus aliados, o governo fantoche e os terroristas. A situação atual foi criada pelos EUA, por isso o Talibã se vai reforçando. O Talibã é uma obra dos EUA e dos serviços de inteligência do Paquistão. Os moradores locais não vêm diferença ente Talibã e EUA, eles bebem da mesma xícara e quem sofre é o povo afegão", afirmou o político.

    Ele lembrou a triste estatística: em comparação com 2016, em 2017 o número de civis mortos por ataques aéreos cresceu em 43%.

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    Tags:
    presença militar, população civil, OTAN, Talibã, EUA, Afeganistão
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