15:23 11 Dezembro 2017
Ouvir Rádio
    Inauguração da base da China em Djibuti, no leste da África, no dia 1° de agosto de 2017

    Mais bases, menos paz: Por que bases estrangeiras representam perigo para África

    © AFP 2017/ STR
    Oriente Médio e África
    URL curta
    732

    Cada vez mais países estão aumentando a sua presença miltiar na África. O exemplo mais recente foi a China, que inaugurou a sua primeira base militar no exterior em Djibuti, no Leste do continente. Em breve, a Turquia irá abrir a sua base na Somália. Os Estados Unidos já estão presentes em vários países africanos.

    Uma das razões para explicar a ampliação da presença de nações estrangeiras na África envolve aspectos econômicos e militares, de acordo com Ayo Johnson, especialista em assuntos africanos. Para ele, o que existem são esforços dos países mais poderosos do mundo em fomentar uma guerra subsidiária.

    “Durante o tempo colonial a África foi dividida entre nações ocidentais. Agora podemos ver que a África volta a ser o centro de outra guerra subsidiária, devido ao fato de muitos países abrirem bases militares no continente africano, o que constitui uma grande preocupação”, explicou Johnson, em entrevista ao RT, citando EUA, China e países europeus como donos de bases em países da África.

    Para o especialista, a forte presença estrangeira com bases militares denota que os países africanos que as abrigam não conseguem defender-se, tampouco controlar os próprios interesses. Por isso, a lógica por trás da estratégia estrangeira é a de “quem chega primeiro, lá fica”. Estabelecem-se, assim, esferas de influência importantes.

    “Estadunidenses, britânicos e outros europeus, para não falar dos chineses, todos eles parecem ter grande interesse e poderiam exibir musculatura e capacidade militar uns aos outros. A África se converteu na cabeça de ponte, na qual podem explorar suas oportunidades fora dos próprios países, ao custo dos africanos”, avaliou Johnson.

    O lado nefasto permanece se forem considerados os graves problemas que permanecem no continente africano, como a pirataria e o terrorismo internacional. Eles não cessam, mesmo diante de uma presença cada vez maior de forças militares estrangeiras. Que o digam o Daesh e a Al-Qaeda, grupos terroristas que seguem fortalecidos na região.

    “Se eles [militares estrangeiros] estão ali para impedir ataques, creio que a curto ou longo prazo eles poderão criar antagonismos, um problema para os nativos. Finalmente, os maiores perdedores serão cada um dos africanos”, advertiu o especialista.

    Mais:

    EUA se assustam: A base militar da China na África não é o que parecia
    Que escondem eles? Base chinesa na África possui níveis secretos
    EUA admitem preocupação com base chinesa na África
    Opinião: China utiliza primeira base estrangeira na África para reforçar presença militar
    Tags:
    pirataria, guerra, diplomacia, terrorismo, segurança, defesa, Al-Qaeda, Daesh, RT, Ayo Johnson, África, Turquia, China, Estados Unidos, Djibuti
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik