09:56 19 Setembro 2020
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    Os lobbies sauditas e israelenses estão pressionando o presidente dos EUA para abandonar o Plano de Ação Conjunto Global com o Irã, mas para Trump será difícil fazê-lo, tomado em conta a força do apoio internacional a este acordo, disse ao Sputnik Vladimir Sazhin, especialista em Oriente Médio.

    As autoridades dos EUA adicionaram 18 pessoas e entidades iranianas à lista de sanções, alegando que estas estariam apoiando o programa de mísseis balísticos do Irã, os militares iranianos ou organizações criminosas baseadas no Irã.

    Os EUA "estão profundamente preocupados com a atividade nociva do Irã no Oriente Médio, o que abala a estabilidade regional, bem como a segurança e a prosperidade",  afirmou no dia 18 de julho Heather Nauert, a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

    Os Estados Unidos alegam que o Irã "continua testando e elaborando mísseis balísticos", desafiando a resolução dos EUA e o Plano de Ação Conjunto Global, firmando por seis potências mundiais em 2015 e que impôs limitações ao programa nuclear do Irã, em troca do levantamento das sanções.

    O presidente estadunidense Donald Trump criticou repetidamente o acordo nuclear com o Irã. Já o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, disse que as novas sanções violam os termos do Plano de Ação e têm como objetivo minar o acordo.

    "Eles falaram sobre o 'abandono do acordo'. Depois perceberam que isso não seria globalmente bem-vindo. Então, agora estão tentando fazer com que o Irã não se beneficie dele", disse o ministro.

    Apesar dos esforços dos EUA para sair do acordo, Washington dificilmente pode fazê-lo por causa do apoio internacional ao Plano de Ação, disse ao Sputnik o perito em Oriente Médio Vladimir Sazhin.

    "Por um lado, a Europa e a UE sempre olharam com grande esperança para o Irã como para um parceiro possível nos seus projetos de negócio. Além disso, o levantamento das sanções em resultado do Plano de Ação também é benéfica para a China, o Japão, a Coreia do Sul, a Índia e assim por diante, esses países sempre tiveram interesse no aumento da cooperação econômica com o Irã", explicou Sazhin.

    Caso os EUA saiam do Plano, eles arriscam a ficar isolados no meio dos europeus e asiáticos, que procuram construir um diálogo abrangente com Teerã.  Em janeiro do ano passado, os termos do Plano começaram a ser praticamente cumpridos, e, ao mesmo tempo, foi lançado o processo de levantamento das sanções.  Muitas empresas internacionais, incluindo as da indústria automóvel e petrolífera, já estão voltando ao Irã.

    Por isso, a Casa Branca dificilmente pode abandonar o Plano. Contudo, a administração de Trump parece estar continuando a impor sanções ao Irã apesar do acordo.

    "Trump e sua administração, inflamados pela iranofobia, apoiados pelos lobbies sauditas e israelenses, não conseguem diminuir o fervor do confronto político, diplomático e econômico com o Irã. Além de mais, o acordo nuclear não obriga Washington a suspender ou não impor sanções contra o Irã como punição por outros «pecados» não ligados com os assuntos nucleares."

    Impondo mais sanções contra o Irã, os EUA estão implementando "muito mal" as suas obrigações decorrentes do Plano, disse o chefe do departamento de não-proliferação do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Mikhail Ulyanov.

    "No anexo ao Plano de Ação Conjunto Global, há de fato uma chamada para o Irã se abster do lançamento de mísseis balísticos, mas, em primeiro lugar, é apenas um apelo, não uma obrigação. É ridículo aplicar sanções por não cumprir esta chamada", disse Ulyanov ao Sputnik na quinta-feira (20) passada.

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    Tags:
    acordo nuclear, sanções, Casa Branca, Mohammad Javad Zarif, Mikhail Ulyanov, Oriente Médio, Irã, EUA
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