13:56 19 Setembro 2019
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    Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu

    Após ignorar 'banho de sangue', Israel retira detectores de metais em Jerusalém

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    O governo de Israel decidiu retirar os detectores de metais que vinham sendo utilizados em um local sagrado de Jerusalém, informou um comunicado ministerial nas primeiras horas desta terça-feira (horário local), após as medidas de segurança terem terminado em mortes de israelenses e palestinos.

    De acordo com o comunicado, assinado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o gabinete de segurança aceitou “a recomendação para todos os organismos de segurança mudarem a sua maneira de inspecionar baseadas em tecnologias e outros meios”.

    Enquanto a decisão de Tel-Aviv era anunciada, centenas de palestinos se reuniram para celebrar próximos a uma das entradas da mesquita de Haram al-Sharif, conhecida pelos judeus como Templo Mount. O uso de fogos de artifício por uma pessoa fez a polícia israelense reagir e dispersar o grupo.

    O uso de detectores de metais na área sagrada foi definida por Israel após um ataque no último dia 14 ter causado a morte de dois policiais israelenses. Já os palestinos viram a medida como um ataque ao direito de ir e vir ao local sagrado, o que desencadeou episódios de violência e uma nova crise.

    Nos últimos dias, vários protestos e confrontos foram registrados em Jerusalém, deixando cinco palestinos mortos. Três israelenses também foram mortos a facadas por um palestino. A situação chegou até o Conselho de Segurança da ONU, que espera por uma solução para a crise até o fim desta semana.

    Segundo a mídia internacional, um conversa entre Netanyahu e o rei jordaniano Abdullah II fez com que Israel decidisse pela retirada dos detectores de metais da região – a Jordânia é oficialmente o país guardião dos locais sagrados muçulmanos em Jerusalém.

    ‘Banho de sangue’ previsível

    Artigo publicado pelo jornal israelense Haaretz afirma que os “tomadores de decisão” de Tel-Aviv mais uma vez ignoraram os alertas de que um “banho de sangue” poderia ocorrer com a instalação dos detectores de metais em Templo Mount.

    A publicação relembra uma situação semelhante ocorrida em junho de 2014, quando policiais israelenses alertaram o governo que qualquer mudança no ‘status quo’ na região sagrada teria graves consequências. Não adiantou.

    “Uma semana depois, os corpos dos três adolescentes israelenses que haviam sido sequestrados e assassinados em Gush Etzion foram encontrados; Mohammed Abu Khdeir foi assassinado e todo o inferno se instalou. Houve tumultos em massa em Jerusalém, como os que não foram vistos desde a primeira intifada, que então se transformou em ataques terroristas e esfaqueamentos. Esse desprezo custou muitas vidas”, aponta o artigo.

    O jornal israelense cita ainda outro caso em 1996, durante os tumultos de Kotel Tunnel. Em comum em todos os casos, o fato de que “os tomadores de decisões israelenses optaram por ignorar as advertências”.

    “Desta vez, eles explicaram que os detectores de metais, como os túneis Kotel ou a entrada do presidente da oposição ao Monte antes deles, eram essenciais para preservar a honra nacional. Mais uma vez, eles provaram que Israel apenas reconsidera suas ações depois que o sangue foi derramado. Todos os esforços feitos por Israel para realizar um grande passo no Monte do Templo ou perto dele terminaram em derramamento de sangue e, no final, enfraqueceu a soberania israelense no Monte”, emendou o artigo.

    A publicação conclui que é preciso que os governantes israelenses deixem de ignorar as consequências de suas decisões e mudem a abordagem diplomática para lidar com assuntos de tamanha complexidade, algo que nenhum líder recente do país se mostrou capaz de fazer.

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    segurança, violência, terrorismo, Conselho de Segurança da ONU, Haaretz, Abdullah II, Benjamin Netanyahu, Haram al-Sharif, Palestina, Oriente Médio, Jordânia, Israel
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