01:41 03 Junho 2020
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    A Turquia planeja finalizar a construção de seu primeiro porta-aviões em 2021, o que representará sua entrada no "clube" dos países que dispõem deste tipo de navios. As razões por que Ancara está disposta a investir nele foram analisadas no blog militar War is Boring.

    De acordo com o portal, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan procura desde há muito aumentar as capacidades militares do país e planeja tornar o sector da Defesa independente de terceiros países até 2023. Já há anos que Ancara estuda a possibilidade de começar a construção de um porta-aviões.

    "Devemos ir ainda mais rápido", disse o presidente turco durante a cerimônia de inauguração de um novo navio de guerra de fabricação nacional, em 3 de julho. Ele acrescentou que a Turquia está "orgulhosa de sua capacidade de construir navios de guerra, sobretudo submarinos".

    Apesar de que o anúncio de Erdogan pode parecer demasiado ousado, o país já iniciou a construção há mais de um ano do navio Anadolu e planeja concluí-lo em 2021.

    O Anadolu será um navio de assalto anfíbio, pois contará com uma rampa de decolagem e terá capacidade para transportar 10 caças F-35B. O navio, construído na base do porta-aviões Juan Carlos I, terá também a opção de servir apenas como porta-helicópteros.

    ​De acordo com artigo do portal War is Boring, as decisões da Turquia e as declarações de Erdogan revelam seus planos de projetar seu poder não apenas na região, explica o artigo.

    "Soldados turcos estão agora deslocados no Qatar. A Turquia construiu uma base na Somália para treinar o exército nacional do país em sua luta contra o grupo terrorista Al-Shabab e tem tropas desdobradas também no Iraque e na Síria", lembra o autor, Paul Iddon.

    A conclusão a que chega o autor é que o exército turco não está apenas protegendo suas fronteiras, mas quer ir muito mais além.

    O único país da região que tem no seu arsenal este tipo de navios é o Egito, e não é de fabricação nacional. A França vendeu ao Egito dois porta-helicópteros Mistral, inicialmente destinados à Marinha russa, após a ruptura do contrato com Moscou em 2015.

    O artigo lembra o caso do Irã. Desde 2016 que o país persa está interessado em fazer parte do pequeno grupo de países com esta classe de navios. De fato, suas intenções apareceram ainda na segunda metade do século XX e se assemelham muito às da Turquia moderna: tornar-se a potência dominante do golfo Pérsico e um adversário naval de grande calibre no oceano Índico. São estes mesmos objetivos que provavelmente motivam a decisão de Ancara.

    "Com os cofres cheios devido a crise do petróleo da década de setenta, o Xá (líder do Irã na época) gastava dinheiro em armamento militar com o objetivo de elevar o papel do Irã como potência regional e líder internacional", opina Iddon.

    Apesar de que a Turquia se mostra disposta a entrar no jogo, a sua decisão, que implica um custo económico nada desprezível, não poderia vir em pior momento: a autoridade do presidente Erdogan segue enfraquecida desde o golpe de Estado de 2016, na sequência do qual a política interna de Ancara se tornou mais autoritária, aponta o autor.

    Até que a Turquia implemente na prática seus planos ambiciosos de fazer parte do clube seleto das potências com porta-aviões, os únicos países com embarcações deste tipo nas águas do Oriente Médio são os Estados Unidos, a França e a Rússia, enquanto os porta-aviões chineses e indianos ainda não navegam nesta região.

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    Tags:
    porta-helicópteros, porta-aviões, Recep Tayyip Erdogan, Turquia
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