03:52 23 Agosto 2019
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    Forças dos EUA acompanhadas pelos combatentes da YPG na fronteira turco-síria

    Avião sírio abatido pelos EUA é chance para diálogo entre Ancara e Damasco

    © AFP 2019 / DELIL SOULEIMAN
    Oriente Médio e África
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    Ao abater o avião das forças governamentais sírias, os EUA mostraram que são capazes de fazer tudo para redefinir o Estado sírio de acordo com seus próprios interesses, opinam especialistas turcos.

    Segundo o jornalista turco Mehmet Ali Guller, os EUA, ao abater o caça sírio, fizeram uma advertência à Turquia, mostrando que as ações contra as forças de autodefesa curdas "não vão passar sem resposta".

    O jornalista disse à Sputnik Turquia que os turcos devem se juntar às forças da Rússia, da Síria e do Irã que são contra a operação conjunta dos EUA com as YPG (Unidades de Proteção Popular curdas). Assim, Ancara ajudará a manter a integridade territorial da Síria e, ao mesmo tempo, a eliminar as ameaças à sua própria segurança.

    Guller sublinha que a Turquia "deve considerar os últimos acontecimentos na Síria como uma chance para se aproximar de Damasco e deve dar os passos correspondentes para fazer isso".

    O cientista político do Centro das Pesquisas Estratégicas do Oriente Médio (ORSAM), Oytun Orhan, pensa que a Turquia deve cooperar com a Rússia e a Síria para se opor à política norte-americana, que ameaça também a integridade territorial da Turquia.

    "Na política turca para a Síria não houve nenhumas mudanças significativas ou fundamentais, mas as prioridades de Arcara mudaram. No norte da Síria agem organizações terroristas, e a prioridade da Turquia é eliminar a ameaça que elas provocam. O resultado de tal escolha de prioridades pode acalmar Assad, porque a Síria, o Irã e a Turquia estão unidos em sua oposição à estratégia norte-americana que persegue a criação de zonas de influência no norte da Síria", disse o cientista político.

    Anteriormente, a Turquia quis realizar uma operação conjunta com os EUA para libertar Raqqa, lembra Oytun Orhan, mas os EUA preferiram agir juntamente com as YPG (esta organização é considerada pela Turquia como uma ala do partido dos Trabalhadores do Curdistão, ou seja, de uma organização terrorista). Segundo o especialista, isto significa que a Turquia vai provavelmente aderir ao lado russo e não ao dos EUA, que cooperam com os terroristas, caso acontecerem confrontos no leste da Síria.

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    Tags:
    curdos, integridade territorial, terrorismo, guerra, Unidades de Proteção Popular (YPG), YPG, Daesh, Raqqa, Irã, Rússia, EUA, Síria, Turquia, Damasco, Ancara
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