17:49 14 Outubro 2019
Ouvir Rádio
    Forças da coalizão manuseiam munição de fósforo branco no Iraque

    Especialistas denunciam: coalizão usa fósforo branco na Síria e no Iraque (VÍDEOS)

    © 1st Lt. Daniel Johnson / dvidshub.net
    Oriente Médio e África
    URL curta
    3462
    Nos siga no

    Imagens registradas por testemunhas na Síria e no Iraque revelam que a coalizão liderada pelos EUA para combater o Daesh pode ter usado as perigosas e venenosas munições químicas de fósforo branco, proibidas pelo direito internacional, em áreas densamente povoadas.

    Fotografias e vídeos, publicados na internet no dia 8 de junho, mostram pontos brilhantes de luz sobre a cidade síria de Raqqa. As imagens, distribuídas pela Amaq News Agency, vinculada ao Daesh, e o grupo ativista Raqqa is Being Slaughtered Silently (Raqqa está sendo silenciosamente massacrada — em inglês), permitem ver pontos de luz branca e fumaça, que são sinais de fósforo branco.

    O fósforo branco é uma arma usada para formar uma cortina de fumaça de modo a ocultar os movimentos das tropas em campo de batalha. É altamente inflamável e seu efeito é tão danoso, que nunca deve ser usado em áreas civis.

    Raqqa está sob o controle do Daesh. As Forças Democráticas da Síria (SDF), organização predominantemente curda, com apoio dos EUA, estão realizando uma grande ofensiva, sob o nome de Operação Fúria do Eufrates (Operation Euphrates Wrath) para libertar a cidade do grupo terrorista. No entanto, as consequências desse ataque para os civis tem sido enormes.

    ​Em função das intensas batalhas em Raqqa, na qual os EUA coordenam as operações do exército da coalizão, a população síria continua a sofrer múltiplos ataques aéreos.

    Impacto do fósforo branco

    O impacto do fósforo branco no corpo humano é catastrófico, segundo os especialistas médicos. O produto químico derrete a pele até o osso e pode chegar a provocar fraturas.

    De acordo com fontes, um homem chamado Abdullah, que já residiu em Raqqa, mas agora está em Beirute, revelou que seus parentes viram fósforo branco sendo usado em Raqqa. Abdullah também contou que, recentemente, um internet café na cidade foi atingido por mísseis, matando cerca de 20 pessoas.

    ​Andrew Feinstein, escritor, ativista e ex-político sul-africano, disse à Sputnik que munições de fósforo branco trazem consequências devastadoras. O fato de serem usadas ​​na Síria e no Iraque não seria um fenômeno novo, no entanto. Os EUA usaram esse tipo de munição desde 1916, e usaram inclusive durante a Guerra do Vietnã.

    "Infelizmente, a natureza do orden mundial é tal, que certas potências podem fazer o querem sem consequências. O óbvio a ser dito é que isso tem que parar. O impacto do fósforo branco em civis arrasa as pessoas. Em áreas densamente povoadas esse sofrimento se espalha muito", disse Feinstein à Sputnik.

    "O problema é que os países ocidentais não deixarão de usar [o fósforo branco] imediatamente".

    "O mundo precisa rever sua atitude em relação ao uso de munições em geral. Não é possível ter um diálogo significativo sobre as armas de destruição em massa, quando aqueles que dizem às pessoas para se livrar delas também as usam", acrescentou Feinstein.

    Inteligência

    Especialistas alegam que a inteligência da coalizão liderada pelos EUA deveria ser capaz de localizar onde está Daesh. O bombardeio de áreas civis com um produto químico perigoso poderia ser evitado. No entanto, de acordo com Andrew Feinstein, a realidade é muito preocupante.

    "O Reino Unido e os EUA têm conselheiros que analisam áreas que devem se tornar alvo [de ataque aéreo] e informam aos seus governos. Portanto, ou esses conselheiros são inúteis ou os líderes desses países ocidentais estão felizes em continuar vendendo armas que atingem civis de forma ativa", disse Feinstein à Sputnik.

    "A menos que as Nações Unidas e os governos ocidentais, como o Reino Unido e os EUA, digam um basta, nada mudará. Precisamos de uma mudança de mentalidade e mais transparência no que diz respeito ao comércio de armas e ao uso de munições", disse o escritor.

    Os comentários de Andrew Feinstien fizeram eco de Mary Wareham, diretora de advocacia da Divisão de Armas para a ONG Human Rights Watch (HRW).

    "A coalizão dos EUA admitiu o uso de fósforo branco em certas áreas de Raqqa, porém eles não estão dispostos a comentar os incidentes específicos. Sabemos que o uso de fósforo branco em áreas densamente povoadas é proibido, no entanto, também sabemos que tanto em Mossul, no Iraque, tanto em Raqqa, na Síria, há evidências em vídeos e em fotos do seu uso", explicou Wareham à Sputnik.

    Wareham expressou sua preocupação com o uso de fósforo branco na Síria e no Iraque, principalmente devido ao fato de ter sido utilizado anteriormente em Fallujah, no Iraque, em 2004, com consequências devastadoras.

    "Na HRW, estamos tentando conversar com as pessoas em territórios nos quais o fósforo branco está sendo usado, mas é difícil chegar às pessoas. Vimos comentários, no Iraque, afirmando que este foi usado como cobertura de fumaça para tentar libertar civis. No entanto, não conseguimos verificar isso de forma independente", acrescentou a ativista.

    Mais:

    Mídia: líder do Daesh al-Baghdadi é eliminado em Raqqa
    Força Aérea Síria ataca Daesh no oeste de Raqqa
    5 suspeitos dos ataques em Teerã anteriormente agiram em Raqqa e Mossul
    Exército Sírio liberta mais seis vilas na província de Raqqa
    Pentágono: fuzileiros navais norte-americanos participam da ofensiva em Raqqa, na Síria
    Coalizão liderada pelos EUA realizou 24 ataques aéreos contra Daesh em Raqqa
    Tags:
    civis, armas químicas, fósforo branco, coalizão internacional, Mary Wareham, Andrew Feinstein, EUA, Mossul, Raqqa, Iraque, Síria
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar