18:48 21 Novembro 2019
Ouvir Rádio
    Combatentes de Peshmerga, forças  do Curdistão iraquiano após o combate de dois dias a 15 quilômetros da cidade de Mossul, Iraque

    Independência de Curdistão: como será o Iraque depois do Daesh?

    © AFP 2019 / JOSEPH BARRAK / AFP
    Oriente Médio e África
    URL curta
    716
    Nos siga no

    No centro de imprensa da agência Rossiya Segodnya no dia 12 de maio foi realizada uma mesa redonda dedicada ao possível referendo sobre a independência do Curdistão iraquiano.

    O referendo pode ser realizado em outubro ou novembro de 2017. Representantes de partidos curdos e especialistas discutiram as perspectivas da criação de um novo Estado independente na região. O colunista da agência Sputnik, Igor Gashkov, partilha suas reflexões sobre o tema:

    Procurando pelo Ladrão de Bagdá

    O novo Estado já tem mesmo governo e líder, é o presidente Massoud Barzani que governa a autonomia curda no Iraque desde 2005. Os aliados de Barzani queriam realizar um referendo sobre a independência ainda em 2014, mas esta questão foi sendo adiada por causa do avanço do Daesh (o grupo terrorista proibido na Rússia e muitos outros países). Agora, à medida que o grupo terrorista está perdendo suas posições, aparecem os contornos do novo Iraque – do país que tem dificuldades em unir as comunidades que nele vivem. Os curdos acreditam que Bagdá os discrimina sistematicamente e só veem solução na independência.

    O representante do Partido Democrático do Curdistão iraquiano na Federação da Rússia, Hoshavi Babakr, disse à Sputnik que as autoridades iraquianas pressionam a região através de instrumentos financeiros, limitando as dotações do orçamento. 

    Babakr diz que, durante a guerra contra os militantes do Daesh, as autoridades iraquianas deixaram o povo curdo sem apoio. Em 2014 havia a possibilidade de terroristas conquistarem mesmo a capital da autonomia curda — Arbil. De acordo com fontes curdas, nem naquela altura nem agora, o Iraque não deu qualquer assistência (incluindo financeira) para as forças armadas do Curdistão iraquiano, os Peshmerga.

    A independência inoportuna 

    As autoridades iraquianas, por sua vez, consideram as ações dos separatistas curdos como traiçoeiras. Bagdá afirma que a vitória sobre o Daesh ainda não foi alcançada, e que a realização de um referendo sobre a independência do país em tal situação é inaceitável. Os curdos iraquianos são acusados de ligações com Israel e de tentar criar uma "cabeça-de-ponte pró-israelense".

    Bagdá sublinha que, combatendo contra o Daesh, as forças Peshmerga assumiram o controle sobre os territórios além dos limites anteriormente estabelecidos do Curdistão iraquiano. Os curdos consideram todas estas terras como suas e pretendem realizar o referendo em questão em todos estes territórios. As autoridades iraquianas dizem que não reconhecerão a autodeterminação dos territórios tomados pelas forças Peshmerga. O argumento de Bagdá é que nestas províncias vivem não só curdos, mas também árabes e turcomanos.

    A Turquia e a questão curda

    Agora a atitude de Ancara em relação às duas regiões curdas — a síria e a iraquiana — é fundamentalmente diferente. O Curdistão iraquiano semi-independente é um dos parceiros económicos da Turquia, que compra ativamente hidrocarbonetos no seu território. O presidente da autonomia, Massoud Barzani, tem o sério apoio da Turquia. Durante sua última visita a Istambul, à chegada foi hasteada a bandeira do seu Estado que ainda não é oficialmente reconhecido, mesmo não correspondendo ao protocolo diplomático.

    Mas a atitude das autoridades turcas para com os curdos sírios é bastante diferente. No dia 10 de maio, o presidente turco Erdogan confirmou que considera grupo Unidades de Proteção Popular (YPG), que controlam o território na fronteira turco-síria, como "terroristas". Ancara está preocupada com o fato de que os EUA fornecem armas aos rebeldes curdos. "Nossa paciência está se esgotando", declara Erdogan.

    A Turquia considera oficialmente o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que atua no território turco, como uma organização terrorista. O ex-líder da PKK, Abdullah Ocalan, foi condenado a prisão perpétua na Turquia.

    Mais:

    Presidente do Curdistão sai do cargo em tentativa de conter divergências políticas
    Turquia pede à OTAN zona de exclusão aérea no Curdistão sírio
    Gambito sírio: que armas EUA vão fornecer aos curdos?
    Curdos prometem 'construir Síria livre' com uso de armas norte-americanas
    Tags:
    separatismo, independência, referendo, terrorismo, Unidades de Proteção Popular (YPG), Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), PKK, Daesh, YPG, Peshmerga, Curdistão iraquiano, Turquia, Iraque, Síria
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar