16:08 20 Novembro 2018
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    In this March 18, 2015 file photo, Gen. Khalifa Haftar, then Libya's top army chief, speaks during an interview with the Associated Press in al-Marj, Libya.

    Unidade política na Líbia está a passo de se tornar real

    © AP Photo / Mohammed El-Sheikhy
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    A queda do ditador Muammar Kadhafi em 2011 lançou a Líbia em um caos administrativo e governamental, com o país dividido em zonas de influência. Agora, um dos maiores opositores ao Governo do Acordo Nacional (GNA) apoiado pela ONU, Khalifa Haftar, foi nomeado comandante do Exército. A condição? Aceitar a soberania de uma vez por todas.

    Khalifa Haftar é o líder Exército Nacional da Líbia (LNA), uma organização independente que assumiu o controle de alguns dos principais portos petrolíferos ao leste do país em setembro, é uma figura popular. No entanto, ele sempre rejeitou a legitimidade do GNA apoiado pela ONU, que foi estabelecido como a "única autoridade executiva legítima na Líbia".

    O sucesso de Haftar e do LNA em evitar que o petróleo da região fosse administrado por um grupo rebelde apoiado pelo GNA, além do seu sucesso em repelir grupos islâmicos ao leste do país, contribuíram para sua popularidade generalizada. No entanto, isso causou um duro golpe à legitimidade do GNA na mesma região, inclusive na segunda maior cidade da Líbia, Benghazi.

    Nesta foto de arquivo de 18 de março de 2015, o General Khalifa Haftar fala durante uma entrevista com a Associated Press em al-Marj, Líbia.
    © AP Photo / Mohammed El-Sheikhy
    Nesta foto de arquivo de 18 de março de 2015, o General Khalifa Haftar fala durante uma entrevista com a Associated Press em al-Marj, Líbia.
    Em um movimento sem precedentes em uma coletiva de imprensa na capital argelina de Argel, na segunda-feira, 8 de maio, Mohammed Siyala, que é um funcionário no GNA, se referiu a Haftar como o "comandante-chefe do exército líbio". Mais tarde, Siyala anexou a declaração de que Haftar deve primeiro reconhecer o GNA baseado em Trípoli como a "única autoridade" da Líbia.

    O acordo entre as Nações Unidas de 2015 não deu nenhum papel político a Haftar e suas forças do LNA, mas o governo e seus apoiadores internacionais tiveram pouca escolha senão reconhecer a autoridade do militar, conforme ele se tornava uma das maiores forças opositoras no país. A conferência de Argel contou com a participação de vários personagens influentes da região, entre eles Abdelkader Massahel, o ministro da Argélia do Magrebe, a União Africana, os membros da Liga Árabe e o enviado da ONU à Líbia, Martin Kobler.

    O anúncio vem logo após uma reunião realizada nos Emirados Árabes Unidos no início de maio entre o chefe do GNA, Fayez al-Sarraj e Haftar. A reunião foi encabeçada com a esperança de acabar com o impasse político da Líbia, reunindo ambas as partes para forjar um acordo de compartilhamento de poder.

    A comunidade internacional, incluindo a Rússia e o Egito, pressionava há meses por um acordo mediado pela ONU.  Após a reunião, ambos os líderes fizeram uma declaração conjunta de que a Líbia deve chegar a uma resolução política. Serraj também acrescentou que eles concordaram em "formar um exército líbio unificado".

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    Tags:
    Governo do Acordo Nacional, Exército Nacional da Líbia, Liga Árabe, Nações Unidas, União Africana, ONU, Abdelkader Massahel, Khalifa Haftar, Martin Kobler, Mohammed Siyala, Fayez al-Sarraj, Emirados Árabes Unidos, Argel, Argélia, Líbia, Egito, Rússia
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