04:24 26 Setembro 2017
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    Cidade de Deir ez-Zor

    Damasco: centenas morreram em ataque dos EUA contra depósito de armas químicas do Daesh

    © AFP 2017/ AHMAD ABOUD
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    O Estado-Maior da Síria comunicou nesta quinta-feira que a coalizão liderada pelos EUA atingiu um suposto depósito de substâncias tóxicas pertencentes ao grupo terrorista Daesh, resultando em mortes e envenenamento de centenas de pessoas, incluindo civis. Washington negou o fato.

    O alegado ataque, que teria ocorrido na província síria de Deir ez-Zor, aconteceu após um outro incidente com armas químicas na Síria. Em 4 de abril, a Coalizão Nacional para as Forças Revolucionárias e Oposicionistas da Síria declarou que cerca de 80 pessoas morreram e 200 ficaram feridas em um ataque com armas químicas em Khan Shaykhun, província de Idlib, culpando o exército sírio pelo suposto ataque. O exército sírio rejeitou as acusações e culpou os militantes e seus patronos financeiros pelo ataque. Já o ministério da Defesa da Rússia informou que aeronaves sírias atacaram um depósito de armas químicas dos terroristas, que pretendiam transportar a carga para o Iraque.

    As Nações Unidas e a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) iniciaram a investigação do incidente. No entanto, os Estados Unidos, sem esperar os resultados da investigação, lançaram mísseis de cruzeiro contra a base aérea síria na província de Idlib, em 6 de abril. Washington afirmou que o ataque foi uma resposta ao suposto uso de armas químicas por Damasco.

    Incidente contestado

    A colação liderada pelos EUA um ataque aéreo contra o depósito com substâncias tóxicas do Daesh no dia 6 de abril, entre as 5h30 e 5h50 da manhã, horário local, informou o exército sírio em comunicado publicado nesta quinta-feira.

    "Primeiro uma nuvem branca e depois uma amarela surgiram no local do ataque, o que aponta para a presença de um grande número de substâncias venenosas. Um incêndio no local continuou até às 22:30", afirma o comunicado.

    Os resultados do ataque dos EUA provam que o grupo terrorista Daesh possui armas químicas, que poderiam ser usadas em ataques em massa, acrescentou o exército sírio.

    O porta-voz da coalizão liderado pelos EUA, coronel John Dorrian, refutou as alegações da Síria.

    "[O porta-voz da operação Inherent Resolve] viu os relatórios do Exército da Síria alegando ataques da @CJTFOIR [operação Inherent Resolve] nos arredores de Deir Ezzor Weds — [isso] não é verdade! Desinformação intencional… novamente!" escreveu Dorrian no Twitter.

    Já o ministério da Defesa da Rússia afirmou não possuir informações sobre o suposto ataque da coalizão, segundo o representante oficial do ministério, Igor Konashenkov.

    "O Ministério da Defesa da Rússia não possui informações confirmando relatos de mortes de pessoas, nem sobra a natureza das destruições provocadas pelos ataques aéreos da coalizão internacional na área de Deir ez-Zor".

    Konashenkov acrescentou que o contingente russo implantado na Síria enviou aviões de reconhecimento para monitorar a situação na área atingida por ataques aéreos da coalizão.

    Enquanto isso, a Comissão Internacional Independente de Inquérito para a República Árabe Síria começou a investigar os relatórios do ataque da coalizão liderada pelos EUA, segundo foi informado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU à agência Sputnik.

    "A Comissão Internacional está investigando as violações dos direitos humanos e do direito internacional humanitário. Além disso, investiga todas as situações em que os ataques de qualquer parte do conflito levaram à morte e ferimentos de civis", disse o porta-voz da Comissão,  Rolando Gomez, quando perguntado se este incidente seria investigado.

    Investigação pode comprometer os EUA

    Se as alegações do governo sírio sobre o ataque da coalizão norte-americana contra a base do Daesh forem confirmadas por evidências relevantes, isso provaria as alegações da Rússia de que os terroristas na Síria possuem armas de destruição em massa, disse Viktor Ozerov, chefe da Comissão Defesa e Segurança da câmara alta do Parlamento russo.

    Assim, Washington poderia ficar em uma posição comprometedora, já que precisaria explicar "por que as armas químicas, de cuja utilização acusou Damasco, acabaram por ser propriedade dos terroristas", disse Ozerov.

    Os dados do exército sírio "questionam e talvez mesmo refutam" as afirmações de Washington de que o governo sírio está por trás do uso de armas químicas em Idlib, disse o senador.

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    Tags:
    armas químicas, Inherent Resolve, Daesh, OPAQ, Rolando Gomez, Viktor Ozerov, Igor Konashenkov, John Dorrian, Idlib, Deir ez-Zor, Damasco, Síria
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