18:11 21 Fevereiro 2018
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    Pessoas protestam contra o ataque aéreo dos EUA na Síria em frente do edifício da ONU em Damasco, em 8 de abril de 2017

    Especialista explica por que ataque químico em Idlib não passou de encenação

    © REUTERS/ Omar Sanadiki
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    O professor Marcello Ferrada de Noli, fundador da organização Médicos Suecos pelos Direitos Humanos (SWEDHR), organização que revelou recentemente as falsidades escondidas por trás dos Capacetes Brancos, questiona a veracidade de ataques químicos na Síria.

    O especialista sueco relembra que o governo do país árabe foi acusado de levar a cabo os ataques químicos em várias ocasiões. Entretanto, este tipo de ataque sempre coincidiu com as exigências dirigidas aos países ocidentais por parte da oposição armada de criar uma zona de exclusão aérea sobre a Síria.

    "Este fato é alarmante e faz com que surja uma pergunta se, na verdade, tiveram lugar todos estes ataques, incluindo o recente. Especialmente, se levar em consideração que apenas dois ou três dias antes a oposição síria voltou a pedir a criação de uma zona de exclusão aérea. As conclusões são óbvias", comentou Marcello Ferrada de Noli.

    Além disso, o especialista refrescou a memória que o vídeo dos Capacetes Brancos, no qual aparece o suposto ataque com armas químicas do ano de 2015, foi publicado simultaneamente pelo grupo Coordinating Sarmin, cujo logótipo e bandeira recordam aos da Frente Al Nusra — grupo terrorista proibido na Rússia e em outros países, atualmente denominado como Frente Fatah al Sham.

    "Esta informação planteia a questão sobre existência de ligação entre os grupos terroristas como Frente Fatah al Sham e a organização Capacetes Brancos", advertiu.

    Segundo revela o estudo da SWEDHR, as ações dos controversos Capacetes Brancos, após o alegado ataque químico de 2015, não podem ser qualificadas como assistência médica.

    "É muito difícil avaliar a qualificação destes ativistas. Mas no vídeo, divulgado pelas mídias e publicado pelos mesmos Capacetes Brancos, vemos que suas ações não tinham nada a ver com a assistência médica, e em alguns casos, inclusive podem ser qualificadas como negligência criminal", explicou Ferrada de Noli.

    O perito admite que, em situações críticas, o pessoal tenta fazer todo o possível para as vítimas, usando todos os métodos em seu alcance. Não obstante, no caso do ataque de 2015, o vídeo feito não mostra que tenha ocorrido fora do edifício, julgando pelas imagens registradas.

    "Não vimos o ataque, não temos informações sobre o tipo de produto químico que foi utilizado. Tudo isto faz com que seja impossível avaliar o trabalho dos ativistas dos Capacetes Brancos", sublinhou o fundador da SWEDHR.

    Ademais, Ferrada de Noli realçou que a informação sobre o ataque químico tenha sido proporcionada pela organização Human Rights Watch.

    "Como fontes de informação, nomeia testemunhas anônimos do suposto ataque. Uma destas testemunhas é um ativista dos Capacetes Brancos. Afinal, vemos que a veracidade das informações é questionável. Exceto esta informação, não há nenhuma prova do ataque", explicou.

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    Tags:
    zona de exclusão aérea, armas químicas, ataque, Capacetes Brancos, Frente Fatah al-Sham, Human Rights Watch, Síria, EUA
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