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    Retrato de Assad no hospital de Damasco,4 de maio de 2014

    Opinião: Trump é realista, por isso aceita Assad no poder

    © AP Photo/ Dusan Vranic
    Oriente Médio e África
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    A declaração da Casa Branca de que Washington não deveria mais tentar derrubar o presidente sírio, Bashar Assad, marcou o reconhecimento da realidade do Oriente Médio pelos políticos norte-americanos, disse o ex-diplomata do Departamento de Estado, Anthony Salvia, à Sputnik.

    O presidente da Síria, Bashar Assad, durante entrevista ao diretor da agência internacional de notícias Rossiya Segodnya, Dmitry Kiselev, em 30 de março de 2016
    © Sputnik/ Serviço de imprensa do presidente da Síria Bashar Assad
    Nesta sexta-feira, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, disse que os Estados Unidos devem aceitar a realidade política da presidência de Assad e se concentrar na eliminação do grupo terrorista Daesh.

    "Finalmente, temos um presidente norte-americano guiado por uma avaliação realista dos interesses dos EUA e da situação 'real' — não pelos ditames da ideologia", disse Salvia à Sputnik.

    Salvia observou que o presidente Donald Trump prometeu durante toda sua campanha eleitoral, no ano passado, abandonar a política dos EUA, há muito estabelecida, de derrubar regimes no Oriente Médio e em outros lugares do mundo em nome da democracia e dos direitos humanos.

    "O reconhecimento da realidade da Síria pela Casa Branca é um avanço significativo", afirmou o ex-diplomata.

    A declaração de Spicer refletiu o reconhecimento em Washington de que o governo de Assad não ameaçou nem atacou os Estados Unidos, enquanto grupos extremistas islâmicos sim, ressaltou Salvia.

    Esta nova política, mais realista, irritou os falcões liberais e neoconservadores, tanto na esquerda como na direita americanas, mas está recebendo apoio popular, observou Salvia.

    "Os democratas e muitos republicanos não estão felizes com isso, mas Trump prometeu essa mudança e os americanos votaram a favor. Claramente, no caso da Síria, a mudança está em andamento, de fato já aconteceu ", disse ele.

    Salvia lembrou que Assad sempre havia protegido a comunidade cristã na Síria.

    "Nunca fez sentido o fato dos Estados Unidos tentarem derrubar um dos principais defensores do cristianismo no Oriente Médio, enviando armas a grupos malignos como a Al-Qaeda — as mesmas pessoas que realizaram o ataque de 11 de setembro de 2001 conta os EUA ", disse o ex-diplomata.

    Anthony Salvia foi Assessor Especial do Subsecretário de Estado para Assuntos Políticos dos Estados Unidos, sob a presidência de Ronald Reagan, diretor do escritório de Radio Free Europe / Radio Liberty em Moscou, e é sócio do Global Strategic Communications Group.

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    opinião, Anthony Salvia, Bashar Assad, Síria, EUA
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