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    Premiê israelense, Benjamin Netanyahu e presidente russo, Vladimir Putin durante o encontro, 9 de março de 2017

    Será que queixas de Netanyahu contra Irã significam algo para Vladimir Putin?

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    Oriente Médio e África
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    A ideia fixa do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, sobre a "ameaça iraniana" ganha força. Desta vez, ele acusou o Irã de planejar criar uma base naval na Síria e informou que tinha discutido este assunto com Vladimir Putin durante sua visita à Rússia.

    Netanyahu declarou aos jornalistas que os esforços do Irã para ter uma presença permanente na Síria foram o motivo principal da visita dele a Moscou.

    "Eu disse claramente ao presidente Putin que nós somos definitivamente contra o reforço das posições do Irã e seus cúmplices na Síria. Estamos observando que o Irã tenciona aumentar seu poder e estrutura militar na Síria, inclusive com tentativas de construir lá um porto de mar. Tudo isto tem consequências sérias para a segurança de Israel", destacou Netanyahu.

    De acordo com ele, a presença iraniana na Síria contradiz os "interesses de longo prazo de todos, exceto os do Irã".

    As preocupações do premiê israelense são mais ou menos compreensíveis, mas que relação tem a Rússia a esses processos?

    "O motivo desta 'alusão' é criar uma divisão na parceira estratégica entre o Irã e a Rússia", explicou Hassan Hanizadeh, cientista político iraniano, ex-editor-chefe da agência iraniana MehrNews e especialista em problemas do Oriente Médio.

    "As relações entre Moscou e Teerã podem ser consideradas como estratégicas. O Irã e Rússia têm uma abordagem comum em uma série de assuntos, especialmente na região do Oriente Médio e Síria. Israel, por sua vez, tenta criar uma divisão nestas relações, destruí-las", sublinha o especialista iraniano.

    Ele afirma que Netanyahu usou "artimanhas falsas" para tentar convencer Putin de que o Irã pretende alargar seus territórios e influência por meio da construção de uma base naval na Síria e que isso representa uma ameaça direta para Israel.

    "Há uma coisa importante a destacar: qualquer país, com base na legislação internacional, tem o direito de estabelecer e desenvolver as relações diplomáticas com quem quiser. Israel tem dezenas de bases, tanto aéreas, quanto navais. E ninguém fica indignado com isso", disse Hassan Hanizadeh, sublinhando que se o Irã quiser construir uma base militar na Síria a pedido ou por acordo com governo sírio, essa será uma construção legal.

    "É claro que o Irã não tem o objetivo de criar uma base naval na Síria. Mas Teerã reserva seu direito de cooperar com países amigos. A necessidade pode surgir apenas se o governo legítimo da Síria precisar disso, por exemplo, para treinar lá seus soldados", esclarece o analista político.

    Ele assinala que Israel, país que realiza ataques que matam civis sírios e palestinos, não tem o direito de discutir as relações entre outros países ou de apresentar exigências a um país como a Rússia.

    "A Rússia é um Estado soberano capaz de tomar suas próprias decisões sobre como e com quem construir relações. Israel não tem o direito de intervir nisso. As declarações de Benjamin Netanyahu não merecerão atenção e um líder tão sábio como é Vladimir Putin não lhes dará importância nenhuma", concluiu Hassan Hanizadeh seu comentário para a Sputnik Persa.

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    base naval, relações diplomáticas, Benjamin Netanyahu, Vladimir Putin, Irã, Síria, Israel, Rússia
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