08:32 23 Julho 2019
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    Médicos na Síria, foto de arquivo

    Na saúde ou na doença: guerra sobrecarrega médicos na Síria

    © AP Photo / Hassan Ammar
    Oriente Médio e África
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    O diretor clínico de um hospital de Aleppo Muhammed Nadim al Shihabi contou à agência Sputnik Árabe como a guerra influenciou a prática dos cirurgiões sírios.

    De acordo com o médico, que chefia um hospital perto de faculdade de cirurgia, por mais de 5 anos os doutores travam sua própria luta, não noticiada pela mídia ou referida por observadores internacionais, esta é uma luta pelas vidas sírias que diariamente estão nas mãos dos médicos.

    Antes do início da guerra, os médicos sírios não tinham experiência em tratamento de ferimentos do tipo que agora se tornou generalizado. Além disso, o trabalho virou eterno com um fluxo de feridos que parece interminável. Este fato explica a demanda constante de pessoal, medicamentos e equipamento, sem os quais os médicos são forçados a se tornar mais criativos e, em consequência, mais profissionais.

    O próprio hospital já tinha sofrido ataques por mais de 50 vezes, mas em qualquer tipo de condições os médicos continuaram trabalhando. Eles realizaram cirurgias durante dezenas de horas, com luz de celulares e até cirurgias com o paciente anestesiado com medicamentos caseiros.

    Mas, com toda a experiência adquirida até agora, os médicos conseguem distinguir com uma olhadela o ferimento com arma de fogo de qualquer outro. O pessoal do hospital se tornou uma equipe coesa preparada para trabalhar em condições extraordinárias.

    Durante a entrevista com a Sputnik Árabe, Muhammed Nadim al Shihabi agradeceu à Rússia pela ajuda médica em Aleppo: o hospital de campanha, equipamento e medicamentos vieram para ajudar, juntamente com médicos russos que salvaram a vida a muitos sírios e cooperaram muito com seus colegas da Síria.

    Sapador do Centro Internacional Anti-Minas das Forças Armadas russas desativa minas em Aleppo.
    © Sputnik / Ministry of defence of the Russian Federation
    Atualmente a medicina síria atravessa tempos difíceis: muitos médicos escaparam do país após o início da guerra e o bloqueio impediu fornecimentos de medicamentos e equipamentos.

    Mesmo assim, o diretor clínico de Aleppo acredita que as dificuldades logo passarão à história e a experiência prática adquirida será transferida para a futura geração de médicos.

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    Tags:
    medicina, saúde, Aleppo, Síria
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