21:02 15 Fevereiro 2019
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    Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu

    Opinião: Trump começa a dar reviravolta de suas políticas relacionadas a Israel

    © REUTERS / Sebastian Scheiner/Pool
    Oriente Médio e África
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    Na opinião de vários analistas russos, a renúncia dos EUA da política de "solução de dois Estados" em relação a Israel e Palestina é um sinal de que o presidente norte-americano, Donald Trump, começa a se orientar mais para o seu aliado tradicional no Oriente Médio.

    Na quarta-feira (15), um alto representante da Casa Branca comunicou aos jornalistas que a nova administração dos EUA, ao contrário da anterior, não irá insistir na solução do conflito palestino-israelense com base no conceito "solução de dois Estados".

    Grigory Lukianov, historiador em questões do Oriente Médio e África do Norte, opina que "ainda durante a campanha eleitoral era possível ver uma virada a favor dos especialistas ligados a Israel ou a lobistas israelenses nos EUA". Segundo ele, a equipe de Trump "apostava nos antigos aliados dos EUA na região – Turquia, como membro da OTAN, e Israel".

    Lukianov recordou que, no início de fevereiro, os EUA vetaram a candidatura do novo representante especial para a Líbia – o ex-primeiro-ministro palestino Salam Fayyad. Segundo ele, o fato de os EUA terem se manifestado contra o palestino, significa que o país "leva em consideração a opinião de Israel" e que, o mais provavelmente, "Israel receberá estatuto de aliado dos EUA".

    Considerando que a equipe de Trump se orienta mais para os interesses de Israel, ao invés da Palestina, trata-se de "um fator desestabilizador, pois se questionam todos os acordos alcançados entre a Palestina e a comunidade internacional nos últimos anos", opina o especialista.

    Por sua vez, Tatiana Karasova, chefe do departamento de estudos de Israel e comunidades judias do Instituto do Oriente da Academia de Ciências da Rússia, "Trump já deu a entender que a nova administração respeitará realidades do Oriente Médio e a situação internacional".

    A especialista prevê que durante a reunião com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, Trump vá falar de outra maneira sobre a solução do conflito palestino-israelense, ao contrário de Obama. Segundo ela, a conversa dos dois líderes vai se focar nas políticas referentes a assentamentos e às terras ocupadas.

    No entanto, Karasova adverte que, em véspera da visita, o próprio Netanyahu falou "ser preciso tratar com maior cuidado as promessas eleitorais ou comentários do novo presidente dos EUA".

    O conceito de uma "solução de dois Estados" para o conflito em curso entre israelenses e palestinos estipula a criação de "dois estados para dois grupos de pessoas". A maioria da comunidade internacional concorda há décadas que esta é a única forma realista de pôr fim ao conflito. A expansão de assentamentos de Israel nos territórios palestinos dificulta a realização do plano, algo que já foi duramente criticado pelo Conselho de Segurança da ONU.

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    administração, assentamentos, comunidade internacional, solução de dois Estados, Academia de Ciências da Rússia, OTAN, Casa Branca, Barack Obama, Salam Fayyad, Benjamin Netanyahu, Donald Trump, Oriente Médio, Turquia, Palestina, Israel, EUA