20:30 02 Julho 2020
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    A guerra na Líbia, ou seja, o confronto entre os grupos armados que derrubaram Muammar Kadhafi em 2011 e que desde então se opõem ao poder, foi "esquecida", mas pode estourar novamente a qualquer momento, acredita o portal russo Lenta.ru.

    Depois de vários anos de conflito, nas últimas semanas de 2016, graças ao esforço dos emissários da ONU, foi criado na Líbia o Governo de Acordo Nacional — um órgão que recebeu rapidamente o apoio por parte da comunidade internacional.

    Entretanto, o Parlamento reduziu significativamente o número de altos cargos (de 32 a 18) no novo governo liderado pelo empresário Fayez Sarraj.

    Apesar da alegria expressa pela ONU e pela comunidade internacional ligada ao novo executivo, "os próprios líbios entenderam perfeitamente que Sarraj carece de recursos para controlar o país que praticamente está caindo em pedaços", explicou a edição Lenta.ru.

    País invertido em escombros

    Ao chegar ao poder, Sarraj recebeu um país em pedaços. Apesar de uma atmosfera relativamente calma, os enfrentamentos em Tobruk, Trípoli, Sirte e outras cidades não pararam. Ademais, segundo os serviços de inteligência italianos, no Sul da Itália existem mais de 1.500 grupos, tribos e brigadas que não se submetem ao governo.

    Embora Sarraj tenha conseguido devolver a cidade de Sirte das mãos do Daesh (uma vitória importante, mas com suas desvantagens, que causou a morte de 100 soldados leais ao governo), os terroristas não saíram da área.

    De acordo com a inteligência, numerosos grupos jihadistas permanecem na região e a qualquer momento podem efetuar um contra ataque.
    A vitória em Sirte e a recuperação de quatro portos petrolíferos importantíssimos nas costas do mar Mediterrâneo são, mesmo assim, um impulso econômico para o governo de Sarraj.

    Renascimento de Khalifa Haftar, ex-amigo de Kadhafi

    Khalifa Haftar era uma das pessoas mais próximas a Muammar Kadhafi até 1980, quando seus caminhos se separaram e Kadhafi negou manter contato com o comandante.

    Naquela época, Haftar decidiu trabalhar para os EUA e regressou à Líbia somente depois da morte de Kadhafi.

    Atualmente, ele é o líder do Exército Nacional da Líbia, uma organização composta por ex-militares, assim como por milicianos de diversos grupos rebeldes e de diversas tribos, sendo assim, ele conta com representantes de todas as partes do país.

    Por enquanto, o comandante das Forças Armadas e as tribos no Sul da Síria possuem objetivos similares, mas no momento em que Haftar decidir tomar controle de todo o país, um conflito entre as partes poderá se explodir, explica o portal.

    Até que medida está presente fator estrangeiro?

    Um dos fatores mais influentes no Oriente Médio é o apoio internacional. Sem ir mais longe, Haftar visitou Moscou duas vezes em 2016 e subiu, ademais, a bordo do porta-aviões russo Admiral Kuznetsov quando este se encontrava no mar Mediterrâneo — a caminho para a Síria.

    No entanto, o Ocidente também começa a seguir as ações de Haftar, sabendo que o apoio internacional, assim como a capacidade de negociar dentro do país, são fatores-chave para solucionar o conflito que está acabando com a Líbia.

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    Tags:
    conflito, tribos árabes, guerra civil, Khalifa Haftar, Fayez al-Sarraj, Muammar Kadhafi, Rússia, EUA, Líbia
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