04:47 13 Abril 2021
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    Durante uma reunião com seu homólogo afegão, Salahaddin Rabbani, na terça-feira (7), o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, comunicou a preocupação de Moscou quanto à crescente presença do Daesh no Afeganistão. Em entrevista à Sputnik, o especialista turco na região da Ásia Central, Esedullah Oguz, comentou a situação.

    Segundo Esedullah Oguz, devido às grandes perdas do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia) na Síria e no Iraque, o grupo terrorista está tentando abrir uma nova frente no norte do Afeganistão, região possuidora de um número significativo de militantes que se juntam às suas fileiras nos últimos anos.

    Descrevendo a Turquia como a principal rota usada por terroristas para chegar ao Afeganistão, Oguz alertou a importância de reforçar as fronteiras da Turquia.

    "A fronteira turca tornou-se um ponto de trânsito onde [os terroristas] do Afeganistão e da Ásia Central não encontram nenhum problema para entrar. Basta pagar 500 dólares", disse Esedullah Oguz à Sputnik Turquia.

    Ele acrescentou que as autoridades turcas têm trabalhado no fortalecimento das fronteiras.

    "Durante uma operação no bairro de Zeytinburnu em Istambul, a polícia prendeu 400 pessoas que cruzaram ilegalmente a fronteira turca. A área é usada frequentemente por jihadistas da Ásia Central rumo à Síria e ao Iraque."

    Esedullah Oguz relembrou fatos históricos. Segundo ele, quando os EUA começaram a ajudar os radicais islâmicos, durante a década de 1980, organizações jihadistas começaram a surgir no Afeganistão, fornecendo assim um fundo ideológico para a atividade do Daesh na região.

    "Em 2001, os EUA prometeram transformar o Afeganistão em uma região livre do terrorismo. Quinze anos depois, o Afeganistão continua a ser uma fonte de ameaça terrorista."

    "A estrutura estatal e militar do Afeganistão foi modelada sobre a que existe nos Estados Unidos — um exército de contrato e um sistema presidencial. Como resultado, o país recebeu um sistema fraco e instável, vulnerável a ataques terroristas."

    "No momento, o governo afegão tem cerca de 350.000 soldados na folha de pagamento. Mas o que o país realmente precisa é um exército de recrutamento, não contratual como nos EUA", enfatizou Esedullah Oguz.

    O Afeganistão sofre com a atividade do Talibã, um grupo militante formado nos anos de 1990, que busca estabelecer uma lei Sharia estrita no Afeganistão e no Paquistão.

    A crise no país provocou o surgimento de células locais de outras organizações extremistas como o Daesh, que é proibido na Rússia e em muitos outros países.

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    Tags:
    Sharia, soldados, terroristas, crise, Sputnik Turquia, Sergei Lavrov, Ásia Central, Paquistão, Turquia, Iraque, Afeganistão, Síria, Moscou, EUA, Rússia
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