11:29 18 Novembro 2019
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    Trípoli, a cidade na Líbia

    Por que a Itália está chamando a Rússia para a Líbia

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    Oriente Médio e África
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    Roma acredita que a Europa deva pedir à Rússia que use sua influência para regulação da situação na Líbia. A ideia é racional, mas os resultados do esforço dos europeus na Líbia até agora – nem tanto. Contudo, alguns já se assustaram antecipadamente com o crescimento da influência de Moscou.

    A Itália coloca em risco toda a Europa, escrevem ansiosamente os jornalistas britânicos do The Times, Tom Kington e Bel Trew, discutindo a recente iniciativa de Roma: chamar a Rússia para a regulação na Líbia. Os sentimentos dos italianos têm uma explicação: são eles quem recebe os migrantes que chegam à Europa através do mar Mediterrâneo — partindo dessa mesma Líbia. A Europa, obviamente, não é capaz de resolver o problema — realmente, como pode ela fazê-lo na ausência de uma política única de migração? Por isso, aqueles que sofrem mais decidiram apelar àqueles que já têm experiência na resolução de problemas regionais.

    Aos britânicos, que ficaram fora não só da política de migração, mas de toda a política europeia em geral, isso não é interesse particularmente. Portanto, a principal coisa que eles veem na proposta italiana é o risco do fortalecimento da Rússia. É por isso que eles escrevem que assim Moscou terá um novo ponto de apoio na África do Norte, o controlo do fluxo migratório e o acesso aos recursos energéticos locais (como se os nossos próprios já não fossem suficientes).

    Entretanto, a situação na própria Líbia fica na sombra. Mas, a propósito, seria por ela que se devia começar. Lá não existe um Estado unificado após a derrubada de Khadhafi: as esferas de influência foram divididas entre Trípoli e Tobruk, enquanto parte dos territórios é controlada por terroristas do Daesh [proibido na Rússia]. E com quem se deve cooperar nesta situação? A UE aposta em Trípoli, onde estão baseados o Congresso Geral Nacional pró-islâmico e o chamado governo de consenso nacional. A Rússia mantém contatos principalmente com Tobruk, onde existe um Parlamento eleito em eleições gerais. Ele tem como seu aliado o comandante do exército nacional, Khalifa Haftar. Ele é talvez o único que está tentando lutar contra os terroristas na Líbia. Mas a mídia ocidental se preocupa com a cada vez maior aproximação de Khalifa Haftar a Moscou, fazendo visitas regulares à capital russa.

    Assim, para que a Rússia e a Europa possam cooperar plenamente na questão da Líbia, primeiro tem que ser elaborado, pelo menos, um plano geral e perceber quem apoia quem. Aliás, até a própria mídia dos EUA escreve que será muito mais fácil encontrar uma linguagem comum na questão da Líbia do que na da Síria. A agência Bloomberg, por exemplo, explica isso dizendo que Washington tem os mesmos interesses que Moscou: vencer a crise migratória e o terrorismo. Já tendo em conta o fato de que em um país sem governo único e sob controle parcial do Daesh a situação, de qualquer das formas, permanece fluida, existe uma certa pressa. Neste contexto, a iniciativa italiana, que exorta a Rússia a intervir na crise líbia, é bastante compreensível.

    Baseado no artigo de Maria Balyabina para o serviço russo da Rádio Sputnik

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    Tags:
    mídia ocidental, crise, Rádio Sputnik, Daesh, The Times, Bloomberg, Muammar al-Gaddafi, Mar Mediterrâneo, África do Norte, Roma, Líbia, Itália, Europa, Moscou, Washington, Rússia
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