13:42 22 Agosto 2017
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    Caça norte-americana F-15 decola da base aérea de Incirlik, Turquia, dezembro de 2015 (foto de arquivo)

    Que papel desempenha base de Incirlik na corrida armamentista entre Rússia e EUA?

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    Declarações recentes do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, sobre a necessidade de reforçar e ampliar o potencial nuclear dos EUA reanimaram a discussão sobre armas nucleares da OTAN na Turquia.

    Segundo alguns dados, das 200 bombas atômicas B-61 que a OTAN possui na Europa, 50 a 80 estão na base turca de Incirlik.

    O diretor do Centro dos Estudos Econômicos e Políticos Exteriores e autor de uma série de obras sobre armas nucleares, Sinan Ulgen, disse à Sputnik Turquia que agora está decorrendo um processo de modernização de armas nucleares, e sublinhou que nas condições atuais não se trata da retirada das armas da OTAN de Incirlik.

    "Agora está decorrendo um processo de modernização de armas nucleares, e por isso está em curso seu reposicionamento. As mudanças que acontecem estão ligadas a processos de modernização nesta área", disse Ulgen. Segundo ele, neste momento não se está realizando a retirada das armas colocadas na base de Incirlik.

    Na opinião dele, se as armas forem retiradas do território da Turquia, o processo de seu transporte durará pelo menos um ano ou dois.

    "No caso se voltarem para os EUA ou forem deslocadas para qualquer outro lugar na Europa, a preparação para este processo, assegurar a segurança de condições de transporte e a armazenagem no local para onde serão movidas levará alguns anos. Entretanto, agora não há sinais disso, a retirada dessas armas não se está realizando", disse.

    Ulgen lembrou que as armas nucleares estão em território turco desde o fim da Guerra Fria.

    "Estas armas não pertencem à Turquia. Foram colocadas em território turco em concordância com a doutrina da OTAN sobre contenção e estão sob controle dos EUA. A Turquia está entre os cinco países da Europa onde estão instaladas armas nucleares norte-americanas – além da Alemanha, Holanda, Itália e Bélgica", disse o analista, destacando que a Turquia, em comparação com outros países, é o país mais vulnerável e tem o maior nível de ameaça.

    Na opinião dele, a retirada de armas nucleares do território turco é possível somente em caso de assinatura de um acordo entre os EUA e a Rússia sobre um desarmamento em grande escala.

    Segundo o ex-diretor da Escola Naval da Turquia, Turker Erturk, Trump continuará promovendo a política tradicional norte-americana de um mundo unipolar. Por isso, sua declaração sobre o reforço do potencial nuclear não foi uma surpresa. Ele sublinhou que as armas nucleares que estão em Incirlik não são controladas pela Turquia e, em caso de conflito, podem ser usadas contra a própria Turquia.

    "A Turquia não pode usá-las [armas nucleares que estão em Incirlik] para assegurar sua defesa, e pode se tornar objeto de ataque em caso de confronto entre os EUA e a Rússia. A ameaça colocada por estas armas nucleares táticas é maior que os benefícios delas", afirmou Erturk, dizendo que se estas armas forem usadas, as consequências para a Turquia serão muito imprevisíveis.

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    Tags:
    corrida armamentista, modernização, armas nucleares, Incirlik, EUA, Rússia, Turquia
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