18:28 23 Agosto 2017
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    Os combatentes xiitas de tropas irregulares vêm para o sul de Mossul

    Chancelaria iraquiana: 'Não temos pressa em libertar Mossul do Daesh'

    © AFP 2017/ AHMAD AL-RUBAYE
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    O Iraque entrou na última fase de libertação do país do grupo terrorista Daesh, que tomou grandes territórios iraquianos no início de 2014. Entretanto, apesar de que desde o início da operação já passaram alguns meses, as forças governamentais ainda não conseguiram expulsar os terroristas da cidade.

    O ministro das Relações Exteriores do Iraque, Ibrahim Al-Jaafari, falou à Sputnik sobre o segredo da capacidade de combate dos terroristas e comentou as intenções do Curdistão raquiano de ficar com os territórios libertados.

    Al-Jaafari disse que tudo indica que os terroristas recebem apoio de outros países.

    "<…> O inimigo tenta usar as nossas fraquezas para se manter o mais tempo possível. Além disso, possuem grandes reservas de armas e munições. São armas modernas, o que indica que têm apoio internacional. Há governos que estão por trás deles. O exército iraquiano tem isso em conta e tenta esgotar a potência do adversário", disse o alto diplomata iraquiano.

    Ao mesmo tempo, o diplomata recusou-se a nomear os países que estarão apoiando os terroristas, dizendo que o Iraque quer preservar as relações com estes países. "Esperamos que se tornem racionais, pois, mais cedo ou mais tarde, a corda que os liga aos terroristas irá apertar seus pescoços".

    O chanceler iraquiano explicou que as forças iraquianas não têm pressa de libertar a cidade, porque tentam evitar grandes baixas entre os civis.

    "Damos atenção especial a evitar vítimas entre os civis, que o Daesh usa como escudos humanos. <…> A doutrina do exército iraquiano é que é necessário tentar evitar vítimas entre os civis. O Daesh está usando estas pessoas. É por isso que não temos pressa, desviamos recursos adicionais, arriscando a vida dos nossos soldados para preservar as vidas dos civis", disse acrescentando que agora a maior parte de Mossul já foi libertada dos terroristas. São 40 bairros dos 56 existentes. Agora a cidade está isolada da Síria e está totalmente cercada pelo nosso exército.

    "Precisamos de tempo para libertar a cidade com baixas mínimas", afirmou o chanceler iraquiano.

    Al-Jaafari declarou que as baixas entre soldados e polícia iraquianos têm lugar, mas são menores do que se esperava. O número dos refugiados é também muito mais baixo que o previsto.

    Segundo o chanceler, isso tornou-se possível graças à consolidação das forças que participam do combate contra o Daesh em Mossul.

    "O combate por Mossul é uma batalha de todo o Iraque. Vieram residentes de todas as províncias para libertar esta cidade, como foi com a libertação de Fallujah", disse.

    A milícia militar curda do Curdistão iraquiano – peshmerga – participou da libertação da província de Nínive e agora declara que não deixará estes territórios. Segundo Al-Jaafari, ninguém tem o direito de alienar territórios nacionais. Os curdos estão representados no governo e no parlamento iraquiano. Os curdos são parte da comunidade iraquiana. "Não faz sentido dividir o Iraque".

    Quanto às declarações da organização Hasdi Sabi sobre a hipótese de ajudar o governo sírio depois da derrota do Daesh no Iraque, Al-Jaafari disse que a Constituição iraquiana não autoriza qualquer intervenção militar nos assuntos de outros países, mas se os iraquianos forem, a título individual, para a Síria, ninguém os poderá impedir.

    O chanceler iraquiano afirmou que o país desenvolve a cooperação com a Rússia na luta contra o terrorismo.

    "Estamos trocando informações e esperamos que isso aconteça a um nível mais alto. <…> A inteligência russa é uma das mais fortes do mundo e na luta contra o terrorismo precisamos de informações de inteligência. A Rússia pode prestar-nos grande ajuda nesta área", disse.

    Além disso, Al-Jaafari confirmou que o Iraque pretendia ser um dos mediadores do conflito na Síria, em conjunto com a Rússia, Irã e Turquia, porque também sofre do terrorismo e por a regularização na Síria ir igualmente levar a paz para o Iraque.

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    libertação, inteligência, cooperação, terrorismo, Daesh, Mossul, Iraque, Síria, Rússia
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