17:43 22 Agosto 2017
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    Secretário de Estado dos EUA John Kerry (à esquerda) e o ministro das Relações Exteriores da Turquia Mevlut Cavusoglu

    'Impotência total' ou como EUA cederam Turquia à Rússia

    © AP Photo/ Brendan Smialowski
    Oriente Médio e África
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    O encontro entre os líderes da Turquia, Rússia e Irã em Moscou surpreendeu as autoridades norte-americanas. Ao entrar no grupo de organizadores do processo de paz na Síria, Ancara mostrou a Washington que agora está olhando para Moscou.

    O assassino do embaixador russo na Turquia tinha planos de desentender a Rússia e Turquia, mas, pelo contrário, este crime fez com que os dois países se aproximassem, destaca The Washington Post. No entanto, a aliança russo-turca não foi uma surpresa para analistas. De acordo com Aykan Erdemir, ex-membro do parlamento turco, a Rússia, a Turquia e o Irã há muito tempo que preparavam o terreno para uma cooperação mais estreita.

    "Erdogan considera que no Oriente Médio as ações valem muito mais do que a retórica e, partindo deste ponto de vista, ele percebeu que não se pode contar com Washington", sublinhou o especialista.

    O encontro em Moscou se realizou depois ter ficado claro que o plano de John Kerry, secretário de Estado dos EUA, tinha fracassado definitivamente. Moscou, Ancara e Teerã compreenderam que a mudança do regime na Síria não pode ser a prioridade no processo de paz. Na base da regulação síria têm que estar no respeito pela soberania, integridade territorial e pluralismo político, bem como na luta contra o terrorismo.

    "É uma declaração impressionante. É completamente o contrário do que a Turquia dizia em 2011. Na prática, isto significa que Ancara reconhece Assad", assinala Aykan Erdemir.

    Até hoje, a Turquia tentou coordenar suas ações na Síria com a administração de Barack Obama, destaca o artigo. A Casa Branca tentou por várias vezes alcançar o acordo com a Turquia para criar uma frente unida para combater contra o Daesh (grupo terrorista, proibido na Rússia) e para apoiar a oposição síria, mas todas as tentativas falharam porque os EUA hesitaram no apoio à proposta da Turquia para criar uma zona de exclusão aérea sobre o norte da Síria.

    As relações entre a Turquia e EUA foram piorando enquanto Washington apoiava as Forças Democráticas da Síria, destacamentos na sua maioria compostos por combatentes curdos. Ancara teme que eles avancem ao longo da Síria e se unam com os curdos turcos, criando assim um Estado curdo na fronteira turco-síria. Os EUA não atendeu às preocupações da Turquia e, sem iniciativas por parte de Washington, Ancara escolheu a aliança com Moscou.

    Aleppo foi libertada e o passo seguinte será a organização das negociações entre o governo sírio e representantes da oposição, destaca The Washington Post.

    "Os turcos avaliaram a situação e decidiram: a Casa Branca não quer nada com a Síria. Vamos esperar pela nova administração e entretanto veremos o que podemos fazer com os russos. Todos consideram a administração de Obama como absolutamente impotente e agora estamos fora do processo", apresenta sua conclusão Andrew Tabler, investigador do Instituto para Política do Oriente Médio de Washington.

     

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    Tags:
    crise síria, regulação, acordos de paz, cooperação militar, Casa Branca, Recep Tayyip Erdogan, John Kerry, Irã, Síria, Rússia, Turquia, EUA
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