13:58 25 Setembro 2017
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    Polícia turca cerca área próxima à galeria de arte onde o embaixador russo em Ancara, Andrei Karlov, foi assassinado a tiros

    'Redes de apoio na Europa estão alimentando atos terroristas'

    © AP Photo/ AP
    Oriente Médio e África
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    Embaixador russo assassinado na Turquia (48)
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    Especialista argumenta que os ataques terroristas que estão acontecendo nos países europeus e de outros continentes se explicam pela montagem de uma grande rede de suporte aos agentes do terror.

    Esta penúltima semana de dezembro ficará marcada como uma das mais violentas de 2016. Na segunda-feira, em Ancara, o Embaixador russo na Turquia, Andrei Karlov, foi assassinado pelo policial turco Mevlüt Mert Altintas, morto em seguida em troca de tiros com agentes turcos de segurança; em Berlim, uma feira de Natal foi invadida por um terrorista (segundo o Governo alemão) que lançou um caminhão contra várias pessoas, matando 12 delas e deixando dezenas de feridos; e em Zurique, na Suíça, um centro islâmico foi invadido e diversas pessoas foram vítimas de disparos.

    Tudo isto remete à questão: por que o terrorismo na Europa e em outros continentes está conseguindo amplo terreno para se expandir?

    Para responder a esta pergunta, Sputnik Brasil convidou o professor de Relações Internacionais Ricardo Cabral, estudioso de temas ligados ao terrorismo internacional e pesquisador da Escola de Guerra Naval, no Rio de Janeiro. Na avaliação de Ricardo Cabral, uma rede de suporte permite a expansão de tais atos:

    "Os ataques terroristas, antes circunscritos às regiões mais tensas do Oriente Médio, da Ásia e da África, estão se ampliando pela Europa em razão de diversos fatores", sustenta o pesquisador. "Os ataques que estão acontecendo nos países europeus se explicam pela montagem de uma grande rede de suporte aos autores dos atentados; pela necessidade que estas organizações terroristas têm de demonstrar sua contrariedade aos países que apoiam o Presidente Bashar Assad no combate aos grupos extremistas na Síria (Estado Islâmico e Al Qaeda, muito ativa nos últimos tempos); e, por fim, pela enorme máquina de divulgação que os terroristas sabem utilizar."

    Ricardo Cabral dá um exemplo de como funciona esta "máquina de divulgação":

    "Têm circulado pela Internet vários filmetes produzidos por estas organizações terroristas que procuram sensibilizar as pessoas mais suscetíveis a se vincular às suas causas, à causa do terror. São filmetes produzidos por grupos xiitas, sunitas e de outras ramificações. Seus apelos para cooptar jovens militantes têm uma tônica: eles falam do ‘genocídio’ que está ocorrendo na Síria, por parte dos 'cruzados' contra os 'fiéis'. E então pedem a estes jovens, sensíveis, para se juntar às suas fileiras. A partir daí, os jovens ficam atrelados a este discurso de terror."

    Ainda de acordo com Ricardo Cabral, o assassinato do Embaixador russo Andrei Karlov pelo turco Altintas poderá desencadear maior vigor na repressão ao terrorismo internacional:

    "Não acredito num distanciamento entre russos e turcos em função deste lamentável homicídio. Pelo contrário, acredito que os Governos da Rússia e da Turquia irão fortalecer seus laços porque ambos têm no terrorismo um inimigo comum. Além disso, temos de considerar o fato de que, a partir de 20 de janeiro de 2017, Donald Trump estará assumindo a Presidência dos Estados Unidos, e em várias ocasiões ele já teve oportunidade de declarar que uma de suas prioridades será cerrar fileiras contra o terrorismo."   

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    Tags:
    financiamento do terrorismo, terrorismo islâmico, Daesh, Estado Islâmico, Al-Qaeda, Mevlut Mert Altintas, Ricardo Cabral, Andrei Karlov, Oriente Médio, Europa, Suíça, Zurique, Alemanha, Berlim, Rússia, Turquia, Ancara
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