20:50 02 Dezembro 2020
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    Os militantes jihadistas expulsaram os jornalistas ocidentais de Aleppo oriental ao transformar os “ativistas locais” em novas fontes de informação controladas por eles, escreve o correspondente do Independent no Oriente Médio, Patrick Cockburn, no artigo publicado neste sábado (17).

    Segundo diz o periódico, muitos serviços midiáticos ocidentais, por ingenuidade ou com fins lucrativos, trabalham só com a permissão da Frente al-Nusra (que mudou o nome para a Frente Fatah al-Sham) e da Ahrar al-Sham, que é controlada pelo grupo terrorista Al-Qaeda, proibido em muitos países do mundo.

    Os jornalistas ocidentais que podem produzir matérias imparciais são sequestrados e mortos pelos militantes, que, deste modo, criam uma espécie de vácuo informacional, afirma o correspondente do Independent.

    Em um futuro próximo, diz Cockburn, este vácuo será preenchido com a informação das fontes controladas pelos radicais. Como exemplos, ele cita a morte do fotojornalista norte-americano James Foley e do jornalista norte-americano Steven Sotloff, do jornal Time, em 2014.

    Ao se referir ao relatório da organização não governamental Amnesty International, o jornal frisa que são não só os jornalistas ocidentais que correm o risco da morte, mas também os habitantes locais que "vivem em um constante medo de serem sequestrados se criticarem as ações dos grupos armados no poder".

    "Eles regulam o que podemos dizer e o que não. Você concorda com suas regras e política ou simplesmente some", diz o jornal citando um ativista da mídia.

    De acordo com a publicação, "tem sido conveniente para a mídia internacional transmitir vídeos e entrevistas de Aleppo oriental via Skype, como se eles fossem fornecidos de modo tão simples como em Copenhague ou Edimburgo". Caso contrário, a matéria não seria convincente, já que as pessoas na gravação estariam assustadas, se ouviriam bombardeios, etc.

    O correspondente do Independent afirma que toda esta propaganda não tem a ver somente com a oposição armada síria: as autoridades de outros países também patrocinam e treinam especialistas opositores na esfera da mídia.

    Em particular, conforme o autor, um jornalista contou como lhe tinham oferecido uma renumeração de 17 mil dólares por mês para participar do projeto que propagandeia a mídia de oposição e foi criado com o apoio do governo britânico.

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    Tags:
    chantagem, jornalismo, mídia, terrorismo, Guerra Civil Síria, Ahrar al-Sham, Daesh, Frente al-Nusra, Aleppo, Síria
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