06:15 18 Janeiro 2018
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    Fronteira turco-síria, fechada do lado turco, na madrugada da segunda-feira, dia 8

    'Existe a possibilidade de formação de faixa jihadista na fronteira turco-síria'

    © AP Photo/ Lefteris Pitarakis
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    A situação atual em Aleppo é comentada em uma entrevista para a Sputnik por Hediye Levent, jornalista turca que trabalha em Damasco.

    De acordo com Hediye Levent, hoje é muito difícil dizer que parte do território sírio foi exatamente libertada pelas tropas governamentais, é apenas possível constatar que a maioria da população síria vive nas cidades que são controlados pelas forças do governo.

    "A situação na Síria mudou muito. Pode ser ainda cedo, mais muitos falam do fim da guerra no país. As batalhas que se realizavam nas partes centrais das cidades foram de grande importância. No território sírio atuam dois grupos terroristas. O primeiro é Frente al-Nusra, e outro — o Daesh (ambos proibidos na Rússia). Foi muito importante expulsá-los das cidades", opina Hediye Levent.

    A jornalista turca explicou que logo poderá ser observada a mudança para uma etapa nova na vida dos cidadãos: a reconstrução das casas e fábricas destruídas, o país será posto em ordem. Mas, como a situação ainda não é muito estável, é preciso estar pronto para qualquer reviravolta, advertiu Hediye Levent.

    Ela observa que sírios apoiam o governo porque, depois da ocupação americana do Iraque, muitos iraquianos fugiram para a Síria e, com tais testemunhos, os moradores locais sabem bem o que significa a cisão do país.

    "Eles tinham medo de que país fosse dividido. E, por isso, eles estão ao lado do governo. Aqui é muito fácil ver que as pessoas, independentemente da sua religião, fazem frente aos jihadistas e apoiam o governo. Claro que isto consolida as posições das autoridades sírias, mas quando o confronto for menos encarniçado, o povo vai esperar por reformas sérias<…>", disse Hediye Levent em entrevista à Sputnik Turquia.

    Ela destaca que os processos na Turquia e na Síria são muito parecidos. O governo sírio sempre foi laico, mas as camadas laicas sempre foram perseguidas no país, isto ajudou muito os extremistas na divulgação das ideias radicais. O governo sírio fechava os olhos ao fato de os radicais saírem do país para fazer a jihad no estrangeiro. E agora numerosos combatentes saíram da Turquia para participar da guerra na Síria. Muitos morreram, mas os que voltaram vieram com grande experiência de combate. Os extremistas estrangeiros costumam usar o território da Turquia como local de treinamentos.

    As autoridades turcas gostam de sublinhar que elas combateram o terrorismo no país nos anos 90, mas vale lembrar que naquela época a Turquia estava rodeada por países com governos fortes, que conseguiam controlar os jihadistas, agora estes governos já não existem e os grupos terroristas continuam crescendo e se espalhando pelo mundo, assinala Hediye Levent.

    "A razão principal disso é a seguinte: a Turquia ainda recusa reconhecer a ameaça, ainda chama a al-Nusra de organização política normal. Mas a Frente al-Nustra é a continuação da Al-Qaeda. Hoje, na área entre Idlib e fronteira turca existe a ameaça muito real de formação de uma faixa jihadista.

    Respondendo à questão sobre a perspectiva de mudança na posição de Ancara em relação à política síria, a jornalista disse:

    "Falando francamente, não acho que tal mudança aconteça no futuro próximo. Entre a Turquia e a Síria foram e serão realizadas negociações com a mediação de outros países, mas agora, eu acredito que tanto Damasco, quanto Ancara, são capazes resolver os problemas sozinhos", frisou ela.

    Entretanto Hediye Levent disse que sim, que há sinais que indicam progresso nas relações turco-sírias, mais ainda é muito cedo para tirar conclusões.

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    Tags:
    terrorismo islâmico, jihadistas, Frente al-Nusra, Daesh, Turquia, Síria
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