21:23 17 Fevereiro 2018
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    Soldados turcos na Síria

    'Ancara precisa se unir a Moscou e Teerã na Síria'

    © AFP 2018/ BULENT KILIC
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    As declarações das autoridades turcas sobre a Síria, por enquanto, possuem carácter publicitário. Ancara nada fez para combater os terroristas e para resolver rapidamente a crise síria, opinou o especialista turco Farzad Ramzani Bonesh.

    O primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, durante sua visita a Moscou, falou sobre o interesse mútuo de Moscou e Ancara na resolução da crise na Síria. Ele afirmou: "Não há dúvida que, nesta fase, estamos nos entendendo melhor do que nunca. Com relação à resolução da crise na Síria, pensamos da mesma forma".

    O primeiro-ministro turco sublinhou que Ancara está fazendo todo o possível para resolver a crise síria: intermedeia entre os representantes da oposição síria e a Rússia, bem como tenta remover combatentes de Aleppo. De acordo com Yildirim, a Turquia pretende continuar se esforçando para dar um basta ao derramamento de sangue no país árabe.

    No entanto, o especialista iraniano em política internacional e regional, Farzad Ramzani Bonesh, considera que as declarações das autoridades turcas sobre a Síria, por enquanto, possuem carácter assertivo, não havendo motivos para preocupação, pois, na prática, Ancara nada fez para combater os terroristas e para resolver rapidamente a crise síria. 

    "Falando sobre o papel da Turquia na crise síria, é necessário levar em consideração vários fatores: a grande extensão da fronteira sírio-turca, a interação dos curdos na Turquia e na Síria e outros problemas. Em geral, a função da Turquia na resolução da crise síria foi negativa, mas ainda pode ser positiva", afirmou ele em entrevista à Sputnik Turquia

    Farzad Ramzani Bonesh sublinhou a importância de não esquecermos que há alguns anos, no auge da crise na Síria, a Turquia apoiou ativamente a oposição externa síria, turcomanos sírios, extremistas e até mesmo grupos terroristas na Síria, incluindo o Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em muitos outros países). 

    Ele considera positiva a atitude da Turquia de mediar na resolução da crise síria e cooperar com a Rússia. Mas a Turquia não deve somente falar sobre isso, mas pôr em prática o que diz. 

    "As palavras devem ser confirmadas por ações. Se a Turquia quer desempenhar um papel positivo na resolução da crise síria, ela [a Turquia] deve abandonar o seu apoio direto e indireto à oposição síria, especialmente aos radicais. Ancara deve parar de fornecer armas aos combatentes e de dar assistência financeira. Se os combatentes pararem de receber todos estes benefícios, eles vão se enfraquecer, consequentemente, vão entregar suas armas e respeitar o regime de cessar-fogo. Mas não percebemos tal atitude da Turquia. Sendo assim, não vale a pena se iludir com as declarações turcas", disse.

    Segundo o especialista, a Turquia poderia reforçar o seu papel positivo na resolução do conflito sírio se cooperasse ativamente com a Rússia e o Irã, que estão realizando operações antiterroristas juntamente com o governo sírio. 

    "Ancara precisa se unir a Moscou e Teerã", destacou.

    Em geral, disse o analista turco, disputas e problemas internos, a crise econômica nas relações com o Ocidente, grandes perdas financeiras no setor turístico podem provocar a mudança de direção de Ancara, levando-a a reconsiderar sua posição em uma série de questões, bem como aliviar a tensão nas relações com a União Europeia, outros jogadores e com alianças regionais. A Turquia deve fazer um esforço maior para atingir uma aproximação e cooperação mais estreita com a Rússia, com o Irã e com o governo de Bashar Assad.

    "Por exemplo, Ancara deve compreender que não é uma boa ideia facilitar a retirada dos combatentes de Aleppo, pois a interrupção dos contatos e da assistência aos combatentes poderia ajudar a estabilizar a situação na Síria", concluiu

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    Tags:
    mediação, crise síria, grupos terroristas, assistência financeira, combatentes, resolução pacífica, retirada, apoio, cooperação, UE, Daesh, Binali Yildirim, Bashar Assad, Aleppo, Ancara, Teerã, Turquia, Irã, Síria, Moscou, Rússia
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