23:54 20 Agosto 2018
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    Raqqa

    Ofensiva de curdos contra Daesh em Raqqa pode agravar relações entre EUA e Turquia

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    Especialista entrevistado pela Sputnik considera que a operação de libertação de Raqqa com participação curda levará ao agravamento das relações entre EUA e Turquia.

    Tendo como fundo a operação de libertação da cidade de Mossul (Iraque), na semana passada foram anunciados pela coalizão os preparativos para o início da operação na cidade de Raqqa (Síria).

    As respectivas declarações foram emitidas por representantes da liderança americana, que sublinharam que o papel principal no ataque a Raqqa está previsto ser desempenhado pelas tropas das Forças Democráticas da Síria (SDF), que em muito se baseiam nas forças de autodefesa curdas YPD (Unidades de Proteção Popular).

    Enquanto isso, o premiê turco Binali Yildirim declarou recentemente que a Turquia apenas está pronta pera prestar apoio à operação de libertação de Raqqa na condição de as forças curdas não participarem dela.

    Soldados do exército sírio carregam um missil a ser disparado contra as posições do Daesh em Raqqa
    © AP Photo / Alexander Kots/Komsomolskaya Pravda
    O especialista em questões de Oriente Médio e observador político Bora Bayraktar comentou em conversa com a Sputnik Turquia a situação em Raqqa e a próxima operação de libertação da cidade síria, destacando possíveis cenários de desenvolvimento da situação síria em geral.

    Bayraktar pensa que a posição de Washington em relação à Raqqa ainda não é clara, tal como já aconteceu no Iraque e no Afeganistão, as ações americanas podem de novo resultar em caos.

    "Fica a sensação que o comando americano se orienta pela lógica seguinte: primeiro começamos a operação de libertação de Raqqa simultaneamente com a campanha que decorre em Mossul e depois veremos qual será o resultado e que proveito poderemos tirar disso," destacou.

    O especialista notou que uma posição semelhante é muito arriscada para os curdos sírios, porque o Partido de União Democrática (PYD), que a Turquia considera como terrorista, seria envolvida em ações militares fora do seu território.

    "Acho que a intervenção deles em Raqqa, onde na sua maioria vivem sunitas, poderá resultar em um grave conflito árabe-curdo, porque as forças sunitas locais não ficarão certamente contentes com a presença das forças de autodefesa curdas," explicou o entrevistado.

    O observador político opina que os Estados Unidos, se baseando nas suas ideias, dão passos que podem causar uma séria discórdia entre as forças locais.

    Considerando a situação do ponto de vista turco o especialista disse:

    "A Turquia considera que existe uma ameaça permanente à sua segurança na região. A liderança do país considera que está duplamente cercada. De um lado é a situação em torno da fronteira do sul da Turquia, onde está ativo o crescente xiita apoiado pelo Irã. Por outro lado são as ações dos curdos sírios do PYD que visam a criação de um corredor curdo entre [a cidade de] Sinjar e [as montanhas de] Qandil."

    Ainda de acordo com ele, atualmente é bastante difícil prever como se desenvolverão as relações entre a Turquia e os Estados Unidos, caso as forças curdas participem da libertação de Raqqa.

    "Com uma grande probabilidade, podemos supor que isso levará ao agravamento das relações entre Washington e Ancara," notou.

    Bayraktar comentou também a cooperação turco-russa na região, dizendo pensar que o lado turco está muito interessado em continuar as relações ao mais alto nível, tendo em conta as fortalecidas posições russas após a operação antiterrorista na Síria.

    Além disso, ele destaca que a Turquia precisa realmente da Rússia:

    "Durante o agravamento das relações, após o incidente com o avião, nós fomos testemunhas de que ficando sozinha com os EUA a Turquia ficaria sem trunfos contra o Ocidente. Mas quando Ancara melhorou suas relações com Moscou, ela adquiriu espaço de manobra nas áreas diplomática e militar."

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    Tags:
    curdos, terrorismo, Raqqa, Curdistão iraquiano, EUA
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