21:33 19 Agosto 2017
Ouvir Rádio
    Um cartaz gigante que com o retrato do candidato presidencial libanês Michel Aoun é visto em um poste na estrada Jounieh, ao norte da capital Beirute, em 28 de outubro de 2016.

    Mais uma faísca no Oriente Médio: Líbano terá presidente pró-iraniano

    © AFP 2017/ JOSEPH EID
    Oriente Médio e África
    URL curta
    92354261

    Passados dois anos de vácuo presidencial e de uma crise política que tem paralisado o Líbano, o país finalmente tem um candidato para o cargo de chefe de Estado, cujo destino vai ser decidido nas eleições na segunda-feira (31).

    Se trata de  Michel Aoun, cristão de 81 anos. O político é conhecido por seu alinhamento com o movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã, que fornece apoio militar ao presidente sírio, Bashar Assad.

    Mais de dois anos sem presidente

    O Líbano vive sem chefe de Estado desde que o presidente Michel Suleiman se aposentou no final do seu mandato em maio 2014, sem ter sido atingido acordo sobre um substituto. Segundo a Constituição, neste caso, o chefe de Estado deve ser eleito pelo Parlamento. É de assinalar que o sistema político libanês diz que o presidente deve ser um cristão maronita, o primeiro-ministro sunita e presidente do parlamento xiita.

    Desde então, o parlamento reuniu-se mais de 40 vezes mas foi incapaz de eleger um presidente devido à falta de quórum de dois terços.

    No entanto, a virada final foi tomada pelo ex-primeiro-ministro Saad Hariri, principal líder sunita apoiado pela Arábia Saudita, que aprovou formalmente a candidatura de Aoun à presidência na semana passada. Em troca disso, Aoun lhe prometeu o cargo de primeiro ministro, informa a Reuters.

    Sair da crise

    O próprio Hariri, por sua vez, descreveu sua decisão, que vai contra suas convicções políticas, como necessária para "proteger o Líbano, proteger o sistema [político], proteger o Estado e proteger o povo libanês".

    Hariri explicou que a aprovação veio depois de todas as outras opções terem esgotado. Uma vez que o Líbano tiver um presidente, espera-se que as instituições políticas do país paralisadas pela crise sejam reativadas.

    Linha regional e internacional

    Ao mesmo tempo, analistas acreditam que a eleição de Aoun também afetará a política regional para além do Líbano e da Síria, e terá implicações para a rivalidade entre a Arábia Saudita sunita e o Irã da maioria xiita.

    "A escolha de Aoun é uma clara vitória para o eixo pró-iraniana e outra derrota para a Arábia Saudita", citou a agência Associated Press Paul Salem, vice-presidente de política e pesquisa do Instituto do Oriente Médio em Washington.

    Além disso, especialistas opinam que o novo presidente também pode se tornar uma dor de cabeça para os EUA.

    Mais:

    Rússia pode fornecer armas ao Líbano, mas tendo cautela com Israel
    Israel e Síria: nova guerra prestes a começar?
    'Fator influência': Rússia continua ganhando vantagem no Oriente Médio
    Tags:
    Hezbollah, Síria, Irã, Líbano
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik