03:22 22 Fevereiro 2018
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    Um policial afegão vai em um carro em Tirin Kot, no sul do Afeganistão, em 8 de setembro de 2016, após combates com o Talibã

    'Implementaram um sistema que age contra a paz'

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    Wahid Muzhdah já guerreou nas fileiras do Talibã, movimento extremista que defende o Islã radical. Agora ele é um simples civil. Hoje, 15 anos exatos depois da intervenção militar dos EUA no Afeganistão, ele tenta esclarecer o que tem acontecido.

    "Foi, precisamente, há 15 anos que se iniciou a época das guerras intermináveis provocadas pela América. As guerras que começaram naquele período continuam até os dias de hoje. Começaram com os ataques dos EUA contra o Afeganistão, continuaram no Iraque, na Síria, na Líbia", disse Muzhdah.

    Falando com a Sputnik Dari, ele enumerou os quatro principais objetivos declarados pelos Estados Unidos na hora de estabelecer a sua presença militar no Afeganistão em outubro de 2001, na sequência dos ataques de 11 de setembro em Nova York. O primeiro foi a caça (com o fim de libertar o Afeganistão dos terroristas) ao então "terrorista n° 1", Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda, grupo reconhecido como responsável pelos ataques. A segunda promessa foi a de construir no país um governo que pudesse servir de exemplo para outros países islâmicos. O terceiro e o quarto objetivos são de cunho econômico e preveem a recuperação da economia nacional e a destruição das plantações de ópio, principal fonte financeira do terrorismo.

    No entanto, nenhuma destas quatro promessas foi cumprida, insiste o ex-militante. Com a exceção, talvez, de bin Laden, morto em 2011. Mas ele foi morto no Paquistão, sem que esta morte tivesse afetado de maneira séria os movimentos islâmicos no país vizinho afegão.

    'Nenhuma democracia'

    O ex-militante também comentou a ajuda humanitária e militar que os EUA prestam ao seu país. Para ele, o maior projeto americano destinado ao Afeganistão, vulgarmente chamado "importação da democracia", fracassou, já que não se vê "nenhuma democracia" lá.

    A ajuda militar fracassou também, assegura Muzhdah. "Vou dar um exemplo. Os americanos se responsabilizaram pela compra, para o Afeganistão, de 20 bombardeiros italianos, mas a ação tomou o caminho errado, já que os aviões não puderam ser usados em operações antiterroristas, acabando no ferro velho", conta.

    "O exemplo do Afeganistão mostra como eles [os EUA] implementaram um sistema. Um sistema que age contra a paz", lamenta ele.

    O Afeganistão foi governado pelo movimento Talibã entre 1996 e 2001. Depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, quando os dados da inteligência mostraram que Osama bin Laden teria sido acolhido pelo Talibã no Afeganistão, os EUA começaram a intervenção. Agora, no país resta uma missão militar estadunidense reduzida.

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    Talibã, Afeganistão
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