13:03 25 Setembro 2021
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    O jornalista italiano Giulietto Chiesa partilhou suas ideias sobre o conflito na Síria e a atitude perante a Rússia no mudo.

    ***

    Leia a opinião dele apresentada pela agência Sputnik Itália:

    "Nunca fui a Aleppo, por isso posso formar um conceito sobre a guerra na Síria apenas via mídia e reportagens. Mas posso raciocinar sobre essa guerra: suas razões, quem a iniciou e quem estava interessado nela.

    "Tal como com a guerra na Ucrânia e em muitos casos semelhantes, quando o império americano está em desgraça, surge um tema para a mídia em que se focaliza o mainstream de todo o Ocidente. Contra quem? Evidentemente contra a Rússia.

    Sergei Lavrov e John Kerry em Viena
    Ministério das Relações Exteriores da Federação da Rússia
    "Hoje o tema é o cerco de Aleppo. Leio um comunicado subscrito pela senhora [Federica] Mogherini. Ela foi apoiada pelos chanceleres da França, Itália, Alemanha e dos EUA. Não tinha a subscrição da Grã-Bretanha, mas há Boris Johnson que pensa de maneira semelhante. No qual se fala de 'acontecimentos terríveis' em Aleppo e da 'necessidade de reinstalar o regime de cessar-fogo' e fornecer a ajuda humanitária para os residentes.

    "Certamente, toda a responsabilidade é depositada na Rússia. Queria lembrar de quem começou a guerra na Síria. Vocês recordam a 'presidential order' de Obama de 2011, onde ele chama a Síria de 'ameaça aos interesses dos EUA'? Quem criou o terrorismo do Daesh, quem apoiou terroristas, incluindo 'os moderados' (que cortaram cabeças e comeram corações de soldados sírios)? Quem está hoje 'assediando' Aleppo? Correm boatos que é Assad com o exército sírio. Mas Assad é o presidente vigente do país e ele está combatendo contra o terrorismo e tenta repor a ordem em sua própria casa.

    "A verdade contradiz esse mainstream. A verdade é que os terroristas fazem reféns de todos os cidadãos da cidade com apoio de conselheiros ocidentais de Israel, dos EUA, do Catar e da Turquia. Por quê? Porque se Aleppo cair, eles serão derrotados nesta guerra. Por isso é proveitoso para eles ajudar os terroristas e manter a cidade em assédio. Pelo preço das vidas de residentes.

    "Há pouco tempo, os EUA venderam armas avançadas que custam dezenas de bilhões de dólares para a Arábia Saudita. As armas que Riad usa contra o Iêmen, mas das quais envia uma parte para a frente síria, usando os aviões da Grã-Bretanha e Israel.

    "Houve uma notícia que os aviões russos bombardearam recentemente um campo, perto de Aleppo, onde havia pelo menos 30 oficiais israelenses, juntamente com militares do Catar, Estados Unidos e Turquia. E perto de Aleppo, durante o bombardeio realizado pelos americanos, foram mortos 70 militares sírios e 100 ficaram feridos.

    "Mas o que esses oficiais estrangeiros estavam fazendo perto de Aleppo, no outro lado da linha da frente, acompanhados por facínoras islamistas? Naquele tempo Lavrov e Kerry tinham acabado de assinar o acordo de trégua, que previa o regime de cessar-fogo. Então por que ocorreu um bombardeio? Será que Obama não comanda suas tropas nesta área?

    "O acordo também previa um corredor humanitário para a entrega de ajuda humanitária à população, bem como uma saída livre para os terroristas que estivessem dispostos a depor as armas. Mas algumas horas mais tarde, o comboio humanitário da ONU foi bombardeado e destruído. Quem queria torpedear o acordo? É evidente que os participantes da aliança 'ocidental' (ou suas agências de inteligência) não querem a trégua.

    "Mas o coro da mídia ocidental acusa a Rússia. Que não só não tem interesse em continuar a guerra, mas que é o único país que tem o direito de agir no céu da Síria porque recebeu a permissão do governo legítimo. As outras aeronaves que lá se encontram ou sobrevoam o território do país – americanos, turcos, israelenses, árabes–, segundo o direito internacional são aviões agressores. Eles estão bombardeando as forças legítimas da Síria, fingindo que bombardeiam os terroristas.

    "O resultado é um paradoxo: a Rússia está no banco dos réus, o único país que combate os terroristas do Daesh. Essa é a vergonhosa 'verdade' que o ocidente e seus apoiantes — amigos de terroristas — lançam sobre as cabeças do público que não sabe a verdade."

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    Tags:
    Síria, Rússia, Aleppo, Itália, Ucrânia, EUA, Turquia, Barack Obama, Sergei Lavrov, John Kerry, ONU, Daesh, coalizão internacional, ataque aéreo, ajuda humanitária, conflito armado, terrorismo, oposição moderada
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