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    Os países que estão envolvidos em operações na República Centro-Africana prometeram punir os militares que forem culpados em processos de crimes sexuais, mas novos dados fazem duvidar que o comando da força pacificadora queira esclarecer a verdade.

    Em dezembro de 2013, de acordo com um pedido do governo da República Centro-Africana, a França, que foi a antiga potência colonial, iniciou uma intervenção nesse país africano para fazer parar os combates entre grupos muçulmanos e cristãos dentro do país (a chamada operação Sangaris).

    Um ano depois, em 2014, rebentou um escândalo com os militares franceses acusados em estupro de crianças. Na dezena de casos o estupro foi provado e cinco militares foram detidos, mas apesar de declarações do presidente francês, não foi tomada nenhuma medida de punição.

    O novo presidente da República Centro-Africana Faustin-Archange Touadéra espera que a justiça francesa faça todo o necessário para punir os culpados de estupro, assinalando que o governo está muito preocupado e segue atentamente todas as informações sobre esta questão.

    Segundo os dados oficiais, há uma dezena de vítimas dos militares de Sangaris, mas muitas organizações não governamentais que têm missões em África estimam que a quantidade de vítimas é significativamente maior. Segundo a organização Yamacuir Centrafrique, por exemplo, que se ocupa de casos da violência física e sexual sobre crianças e adultos, entre 2014 e 2015 mais de 100 pessoas se dirigiram ao seu centro que fica a norte da capital da República Centro-Africana Bangui.

    A organização UNICEF mantém a cifra oficial, dizendo à Sputnik França que “há uma dezena de crianças supostamente estupradas”.

    Mas a agência Sputnik França conseguiu se encontrar com duas vítimas dos militares franceses que, segundo os dados oficiais, não foram incluídas nesta dezena:

    “Foi no ano de 2014. Estava a vender laranjas. <…> Os militares me pediram para trazer as laranjas para uma sala que fica na sua base. Quando entrei, um deles me pegou e estuprou. <…> Não pude fazer nada. <…> Depois disso ninguém me ajudou. Só as enfermeiras [da organização Yamacuir Centrafrique]”, disse Yachinthe, uma das vítimas.

    “Isto aconteceu no ano de 2014. Eu tinha 15 anos. Eu era vendedora de frutas. <…> Um dia os militares me pediram para trazer frutas mesmo para um tanque de guerra. Eu fiz isso e um deles me estuprou mesmo no tanque. <…> Me ajudou o papai Paul [da organização Yamacuir Centrafrique], ele me levou para o hospital. <…> Após esse acontecimento ninguém pediu desculpa”, disse Barbara, uma das vítimas.

    Agora é difícil determinar o número de vítimas, mas é claro que os dados oficiais são incorretos. Parece que as autoridades francesas não estão com pressa para desvendar estes crimes.

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    Tags:
    crianças, vítimas, estupro, Sangaris, UNISEF, ONU, República Centro-Africana, África
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