00:13 24 Agosto 2017
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    Jihadistas de Frente al-Nusra affiliada a Al-Qaeda's entram na cidade de Alepo no norte da Síria

    Três razões para Frente al-Nusra mudar seu nome

    © AFP 2017/ AMC / FADI AL-HALABI
    Oriente Médio e África
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    Segundo analistas, a Frente al-Nusra errou ao tentar mudar sua imagem, levando a acreditar que a tentativa teria sido impulsionada pela perda de suas posições e pela tentativa de fugir da derrota.

    Os líderes deste grupo terrorista tomaram decisões inesperadas: se desligar do grupo Al-Qaeda e alterar seu nome.

    Anteriormente, em 28 de julho, o líder da Frente al-Nusra anunciou que o grupo iria abandonar Al-Qaeda e nunca mais aderiria a alguma outra organização estrangeira. Segundo ele, a Frente al-Nusra passou a chamar-se Jabhat Fatah al-Sham (Frente de Conquista da Síria).

    O novo grupo terrorista tem como foco a Síria, que pode ser explicado, informa a agência RIA Novosti.

    Talvez os militantes estivessem tentando se tornar uma força de oposição e não grupo terrorista para evitar ataques aéreos por parte da Rússia e EUA. Provavelmente os terroristas iriam gostar de participar das negociações de paz em Genebra.

    Isso faz algum sentido, pois algumas forças da oposição síria apoiadas pelo Ocidente eram contra a designação dos integrantes da Frente al-Nusra como terroristas, chegando a afirmar que a Frente al-Nusra era uma das organizações mais poderosas na luta contra o exército sírio.

    Mesmo se esse plano tivesse sido real, ele teria fracassado. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Departamento de Estado dos EUA e a ONU reconheceram o novo grupo como terrorista. Em consequência, o grupo é alvo de constantes ataques aéreos e nunca participará das negociações em Genebra.

    O segundo motivo para mudança de nome estaria ligado ao fato de os integrantes da Frente al-Nusra não estarem felizes de fazer parte da Al-Qaeda por desejarem se tornar independentes. Atualmente, além de poder receber apoio financeiro de outras formas, o grupo pode se focar na Síria.

    Em entrevista à RIA Novosti, o cientista político russo, Aleksandr Perendzhiev opina que não se trata apenas da mudança de nome, mas também da criação de uma nova estratégia, destinada à conquista de territórios para estabelecer "califado global", juntamente com o Daesh (proibido na Rússia e em outros países).

    Ao mesmo tempo, muitos analistas acreditam que não há nenhuma divisão dentro da Al-Qaeda. Na opinião deles, a desintegração da Frente al-Nusra foi uma mera formalidade sem motivo. Tal ação visa evitar o bloqueio em Aleppo através de um corredor destinado aos militantes que desejam depor as armas.

    Enquanto isso, outro especialista russo em questões militares, Igor Korotchenko, acha que a alteração de nome vai ajuda-los a evitar derrota final.

    "O terrorismo está mudando de cenário, mas qualquer tentativa de se afastar de organizações terroristas não pode ser reconhecida legítima", ressaltou.

    Segundo ele, o desejo da Frente al-Nusra de mudar de nome comprova o sucesso na luta contra este grupo terrorista que vem sofrendo grandes perdas. 

    A edição conclui: quaisquer que sejam as razões, o novo grupo continua sendo uma organização terrorista. A tentativa malsucedida de mudar de nome evidencia que os terroristas estão perdendo suas posições e que a derrota se aproxima.

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    grupo terrorista, militantes, nome, califado, terroristas, Jabhat Fatah al-Sham, Ria Novosti, Daesh, Frente al-Nusra, Al-Qaeda, Igor Korotchenko, Aleppo, Genebra, Síria, Ocidente, EUA, Rússia
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