02:11 18 Agosto 2017
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    'CIA confirmou duplo critério dos EUA na luta contra terrorismo'

    © REUTERS/ Larry Downing
    Oriente Médio e África
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    O ex-vice-diretor da CIA, Michael Joseph Morell, apelou abertamente nesta terça (9) a que se mate clandestinamente russos e iranianos que combatem no Oriente Médio. As declarações do ex-agente provocaram muita polêmica entre autoridades russas e iranianas.

    Morell disse que a iniciativa deve ser usada como "resposta" às grandes baixas sofridas pelos EUA durante a invasão do Iraque, quando o Irã supostamente teria fornecido armas às milícias xiitas para combater as forças invasoras.

    "Morell não apenas confirmou o duplo critério da política dos EUA na luta contra o terrorismo, quando por trás de declarações de combate contra jihadistas escondem a ajuda a terroristas, mas também fez uma alegação terrível sobre a possibilidade de assassinatos clandestinos por parte das forças dos EUA, disfarçados de terroristas para realizar seus próprios planos destrutivos", afirmou Irina Yarovaya, chefe do Comitê de Segurança e Anticorrupção da Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo).

    "O Departamento de Estado deve responder de forma definitiva sobre estas declarações, ou podemos admitir que o ex-chefe da CIA deixou vazar informações de um verdadeiro Plano de Ação da CIA classificado como ultrassecreto", disse Yarovaya.

    No entanto, o Departamento de Estado se recusou a comentar as declarações de um chefe aposentado, sugerindo ao correspondente da RIA Novosti "se referir a nossos briefings e políticas em relação à Síria".

    O vice-chefe do Comitê de Segurança da Duma de Estado Dmitry Gorovtsov apelou a que se processasse o ex-vice-chefe da CIA por tais declarações extremistas. "Isto é um apelo ao assassinato, é a mesma coisa que as declarações terroristas, declarações extremistas para matar pessoas. Russos ou não russos, não importa. Isso é uma exigência para matar seres humanos. É, de facto, semelhante a uma ideologia fascista. Por tais declarações os militares aposentados devem ser levados a julgamento", frisou ele.

    Sabbah Zahganeh, cientista político iraniano especialista em política internacional e em Oriente Médio, afirmou por sua vez que "analisando tais declarações, podemos concluir que essa pessoa simplesmente não entende nada nem de diplomacia, nem de política internacional. Ele não possui um simples conhecimento geográfico: ele não percebe que vive em um país que fica a vários milhares de quilômetros do Iraque, Irã e Síria. E hoje o seu governo não tem direito de intervir nos assuntos internos do Iraque e da Síria. O Irã e a Rússia estão trabalhando juntos com os governos do Iraque e da Síria com base em vários acordos e contratos assinados em diferentes esferas, incluindo na área de segurança e no âmbito da cooperação militar. Por enquanto, os EUA não têm tais acordos nem com o Iraque, nem com o governo da Síria, para colocar seu contingente na região. Por isso, se acontecer alguma coisa com soldados americanos nesses países, a responsabilidade por isso será assumida pelos líderes políticos que os enviaram para morrer em regiões onde não existe uma base legislativa para a presença militar estadunidense. Em qualquer lugar do mundo que seja, os soldados americanos morrem por uma única razão, essa razão é sempre a mesma – a agressão e invasão pelos norte-americanos do território de Estados soberanos. A culpa disso está ligada à chamada "democracia" americana, que eles tentaram implementar na Ásia, África, Iraque, Síria, Líbano, etc. Se os líderes políticos americanos tivessem ao menos um pouco de respeito pelo direito internacional. <…> No final das contas, cada crise regional pode ser resolvida de outra maneira – pacificamente. Portanto, todos os políticos norte-americanos devem primeiro estudar a diplomacia e o direito internacional".

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    Tags:
    padrões duplos, terrorismo, CIA, Oriente Médio, Irã, Síria, EUA, Rússia
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