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    Brasil enfrentando COVID-19 no início de maio de 2021 (52)
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    Com desgaste político provocado pelo atraso da vacinação no Brasil, o governo de Jair Bolsonaro iniciou uma operação internacional em busca de acordos de doação de vacinas por parte de países que tenham excedentes de imunizantes.

    O governo identificou que apenas EUA e Reino Unido devem contar com excedentes de vacinas hoje no mundo, tendo condições de enviar estoques ao exterior em um curto período de tempo.

    O presidente dos EUA, Joe Biden, chegou a declarar anteriormente que o país enviará "até 4 de julho, cerca de 10% do que temos [de excedente] para outras nações".

    Ao comentar as perspectivas da cooperação internacional do Brasil para a aquisição de vacinas, o médico sanitarista e professor da Faculdade de Medicina da USP, Gonzalo Vecina Neto, afirmou que os países ricos "com certeza devem ter sobra de vacinas", e disse não acreditar que estes países guardem a sobra dos imunizantes.

    "Mesmo que haja resistência à vacina com variantes novas [do novo coronavírus], terá que existir então uma vacina nova. Então o mais adequado é doar mesmo as vacinas excedentes", observou.

    No entanto, Gonzalo Vecina Neto, que já também já atuou como diretor da Anvisa, afirmou que a expectativa é que os países ricos façam doação de vacinas a países pobres, que não têm acesso a imunizantes. De acordo com ele, o Brasil também não tem acesso a vacinas, mas neste caso é por "má gestão".

    "A situação brasileira na área de vacinas é fruto da inação governamental na compra de vacinas no momento em que as compras deveriam ter sido realizadas em meados do ano passado. O governo brasileiro só se movimentou para comprar vacinas em março de 2021", observou.

    O ex-diretor da Anvisa declarou que é evidente que o Brasil vive uma falta e uma escassez de vacinas, contando apenas com as vacinas do Butantan (CoronaVac), que vez uma compra de 100 milhões de doses e entrega parcelado mês a mês, em torno de 15 milhões de doses por mês, e 210 milhões de doses da Fiocruz (Oxford/AstraZeneca) que também estão divididas em lotes de 15 a 25 milhões de doses por mês até fevereiro do ano que vem. 

    Insumos para produção da vacina CoronaVac chegam da China, no aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo
    © Folhapress / Rivaldo Gomes
    Insumos para produção da vacina CoronaVac chegam da China, no aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo

    Segundo o especialista, as doses do Butantan vão terminar por volta de agosto ou setembro, quando o "Butantan ficará sem entregar vacina até o início das atividades de sua fábrica que está em término de construção".

    "Temos a possibilidade de receber as 40 milhões de doses da COVAX Facility da OMS, mas será no segundo semestre, e as 100 milhões de doses compradas da Pfizer, que está entregando esse semestre um milhão de doses, mas o restante virá por volta do quarto trimestre", acrescentou.

    "Vamos ver como vai ser o futuro e torcer para que não apareçam variantes que sejam resistentes a essa coleção de vacinas e que o governo pare de fazer incompetência, de tal forma que não piore a situação. Tem jeito de piorar e esse governo tem a sabedoria de encontrar esse jeito de piorar. Espero que na saúde isso não aconteça", completou Gonzalo Vecina.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Brasil enfrentando COVID-19 no início de maio de 2021 (52)

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    novo coronavírus, Vacina CoronaVac, vacinação, vacina, pandemia, COVID-19
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