22:34 10 Maio 2021
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    Desde a década de 1990 que a Coreia do Norte tem vindo a construir o seu arsenal nuclear, ante a preocupação dos EUA e de parte da comunidade internacional.

    Após 30 anos e não obstante as sanções, a Coreia do Norte, liderada atualmente por Kim Jong-un, tem agora mais armas nucleares do que nunca, além de mísseis balísticos que a inteligência norte-americana diz que podem atingir os EUA, reporta a NBC News.

    O governo norte-coreano apresenta uma atitude cada vez mais hostil em relação aos EUA, justificada em grande parte pelas pesadas sanções impostas pela Casa Branca. Agora, a administração Biden deverá ponderar de que forma vai lidar com a questão do seu adversário nuclear, sendo que os resultados da revisão da política exterior em relação a Pyongyang deverão ser em breve anunciados.

    Por enquanto, vários especialistas acreditam que Biden não abandonará formalmente o objetivo americano de "desnuclearização total" da Coreia do Norte. Antes, ele tentará atingir o objetivo mais limitado de diminuir a ameaça nuclear norte-coreana, buscando ao mesmo tempo reduzir a visibilidade desse importante problema de política externa que ainda não tem solução clara.

    A administração democrata também tenciona voltar a impulsionar a chamada relação trilateral entre EUA, Japão e Coreia do Sul, conforme informou um oficial da anterior administração Trump. Porém, se haverá ou não conversações diretas, isso vai depender do comportamento da Coreia do Norte, informou o oficial, referido pela mídia.

    Mísseis balísticos durante desfile na Coreia do Norte
    © AP Photo / Wong Maye-E
    Mísseis balísticos durante desfile na Coreia do Norte

    Enquanto a desnuclearização permanece como objetivo final, até que este seja atingido, Washington poderia tentar persuadir Pyongyang a concordar com certas restrições relativas ao seu arsenal, em troca do cancelamento de determinadas sanções econômicas.

    No entanto, "no passado, Kim não se mostrou fácil de demover com pressão econômica", mas "é possível que ele esteja desesperado o suficiente para querer o cancelamento de sanções – e confiante o suficiente em suas capacidades nucleares e de mísseis – que poderia aceitar trocar alguns limites em seus programas de armamento por uma redução significativa das sanções", escrevem Eric Brewer, que trabalhou em políticas para a Coreia do Norte no Conselho de Segurança Nacional durante a administração Obama, e Sue Mi-Terry, que colaborou com o Conselho Nacional de Inteligência e foi analista na CIA, também durante a administração Obama, citados pelo NBC News.

    Vários oficiais de inteligência afirmam que a Coreia do Norte não tem intenções de desistir de suas armas nucleares, o que significa que Biden tem várias opções pouco favoráveis, desde o reiniciar de conversações entre os dois Estados, cujo historial tem mais fracassos que sucessos, até um possível ataque militar que, por sua vez, poderia ter repercussões gravíssimas.

    Líder norte-coreano Kim Jong-un durante o discurso de abertura da reunião dos subsecretários de células do Partido dos Trabalhadores, 7 de abril de 2021
    © REUTERS / KCNA
    Líder norte-coreano Kim Jong-un durante o discurso de abertura da reunião dos subsecretários de células do Partido dos Trabalhadores, 7 de abril de 2021

    Desde que chegou ao poder, Kim Jong-um tem lançado provocações contra a administração Biden com retórica agressiva e testes de mísseis de curto alcance. No entanto, a derradeira prova ocorrerá no dia em que Pyongyang testar mísseis de longo alcance, o que indiciaria um grave perigo para os EUA e seus aliados, explica a mídia americana.

    Biden poderá tentar negociar o máximo que puder, mas, caso resulte em nada, haverá somente uma opção além da confrontação bélica – mais sanções econômicas, segundo os especialistas.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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