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    O estado de São Paulo iniciou no último sábado (10) a vacinação de profissionais da Educação. A Sputnik Brasil conversou com especialistas para saber se a vacinação dos professores dá segurança para a volta às aulas presenciais.

    A epidemiologista e coordenadora do Programa Nacional de Imunizações entre os anos de 2011 e 2018, Carla Domingues, em entrevista à Sputnik Brasil, destacou que a somente a vacinação dos profissionais de Educação não garante que todos estarão protegidos.

    De acordo com ela, a vacinação é uma ação complementar e, portanto, o distanciamento social, o uso de máscaras e as medidas de higiene no ambiente escolar são fundamentais para garantir o retorno das aulas presenciais.

    "Nenhuma vacina é 100% eficaz, portanto mesmo recebendo duas doses você ainda poderá ter o risco de adquirir a doença [...] É importante ressaltar que ainda não sabemos se essas vacinas vão proteger contra a infecção da COVID-19, ou seja, se elas vão evitar que aconteçam casos assintomáticos, pois esses casos, mesmo sem apresentar os sintomas, podem transmitir a doença", afirmou.

    A vacinação para profissionais da Educação começou no último sábado (10) no estado de São Paulo. A expectativa da campanha é vacinar 350 mil profissionais das redes pública e privada.

    A especialista Carla Domingues observou que, devido à elevada taxa de transmissão da COVID-19 hoje no Brasil, a diminuição da circulação do vírus em todo o país "possivelmente só acontecerá quando tivermos cerca de 70% da população acima de 18 anos vacinada".

    "É mais importante neste momento garantir o distanciamento social, o uso de máscaras e as medidas de higiene no ambiente escolar, em conjunto com a avaliação da situação epidemiológica de cada cidade. Localidades com elevada transmissão do vírus e com esgotamento dos serviços de saúde devem considerar o fechamento das escolas", frisou a epidemiologista.

    No entanto, Carla Domingues observou que outras cidades que estiverem com a situação da COVID-19 controlada podem retornar com mais segurança, desde que as demais medidas sejam adotadas.

    "Individualmente as pessoas estarão mais protegidas a partir do 14º dia após terem recebido a segunda dose, mas mesmo essas pessoas ainda deverão manter o distanciamento social, o uso das máscaras, lavagem das mãos e o uso do álcool gel. Pessoas vacinadas podem ser infectadas, da mesma forma que as pessoas que já tiveram doença podem ter uma nova infecção, então a vacinação não é um passaporte para relaxar as medidas de controle da COVID-19", completou.

    Aula com poucos alunos na escola estadual Professor Milton da Silva Rodrigues, na Freguesia do Ó, em São Paulo
    © Folhapress / Rubens Cavallari
    Aula com poucos alunos na escola estadual Professor Milton da Silva Rodrigues, na Freguesia do Ó, em São Paulo

    O secretário estadual de Educação de São Paulo, declarou anteriormente que a vacinação buscará reduzir a desigualdade social no aprendizado de crianças e jovens. Segundo o secretário, 56% das crianças eram alfabetizadas ao final do primeiro ano antes da pandemia; hoje, são 21%.

    O médico pediatra e diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Renato Kfouri, por sua vez, disse à Sputnik Brasil que a retomada das aulas presenciais não deve ser condicionada à vacinação e imunização dos professores, mas deve acontecer com toda a segurança e com todos os protocolos.

    Ao comentar o impacto que a pandemia da COVID-19 teve na alfabetização do Brasil, tendo em vista a desigualdade social do país, Kfouri defendeu o investimento em escolas com mais condições, salas mais arejadas, mais amplas, com refeitórios mais adequados, com Internet para aqueles que não podem frequentar as aulas. De acordo com ele, o investimento em melhores condições escolares neste contexto ajudar a "não acentuar ainda mais um problema tão grave da educação que é essa disparidade, essa desigualdade tão acentuada".

    "Sem dúvida a pandemia da COVID-19 mostra para nós todas as desigualdades do país, e a educação não é diferente, justamente aqueles alunos, aquelas famílias onde tem menos condições de ter aulas virtuais, de ter uma Internet de qualidade, de ter um computador ou celulares de qualidade, são as que mais sofrem com a falta de um ensino à distância adequado", acrescentou Renato Kfouri.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    COVID-19, novo coronavírus, educação, professores, pandemia, vacina, vacinação
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