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    Situação da COVID-19 em meados de abril no Brasil (74)
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    A França anunciou nesta terça-feira (13) a suspensão de todos os voos com o Brasil por conta da disseminação da variante brasileira do coronavírus. Para especialista ouvido pela Sputnik Brasil, a medida é um reflexo de como o governo brasileiro vem encarando a pandemia.

    Além da medida do governo francês, a identificação de um surto da variante brasileira do coronavírus, a P.1, em um resort de esqui no Canadá levou o estabelecimento a fechar suas portas na última segunda-feira (12).

     Alan Vendrame — advogado especialista em Direito Internacional Público, professor, doutor e pós-doutor em Políticas Públicas em Saúde pela UNIFESP/EPM e pós-doutor em Public Health Law (Saúde Pública e Direito) pela Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos — afirmou que as restrições ligadas ao Brasil são um reflexo do modo como a pandemia vem sendo encarada pelo governo brasileiro, sobretudo pela falta de medidas de controle da disseminação do coronavírus.

    De acordo com ele, o governo brasileiro adotou uma "política negligente" ao não fazer uma campanha para estimular uso de máscaras e distanciamento social, não realizando lockdown para conter a disseminação do vírus e não fechando as fronteiras com outros países quando havia tempo de impedir o rápido contágio no território brasileiro.

    "Nosso governo praticamente nada disso fez, a não ser o auxílio emergencial, então qual foi o resultado de tudo isso? O resultado de tudo isso é que nós, infelizmente, nosso país é um viveiro das mutações do coronavírus. Nós somos um laboratório a céu aberto, infelizmente", acrescentou o especialista.

    O especialista destacou que se trata de uma "negligência deliberada, que fica evidente pelo negacionismo, que fica evidente pela posição anticiência, pela posição, portanto, antivida" em relação à pandemia da COVID-19.

    Ao comentar a decisão do governo francês de suspender os voos com o Brasil, Alan Vendrame destacou que, do ponto de vista do direito internacional público, essas restrições "são absolutamente legítimas e legais".

    "Isso é um princípio consagrado no direito internacional público chamado soberania. Os Estados são soberanos, os governos são soberanos para tomar suas decisões dentro dos respectivos territórios", afirmou.

    Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, referência no atendimento a pacientes com COVID-19 no Rio de Janeiro
    © Folhapress / Jorge Hely / FramePhoto
    Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, referência no atendimento a pacientes com COVID-19 no Rio de Janeiro

    Segundo o especialista em direito internacional público, é "absolutamente esperado que um governante faça uma restrição de pessoas vindas de um país cujo governo é negacionista, cuja transmissibilidade segue descontrolada, cujo número de mortos cresce exponencialmente".

    O advogado disse acreditar que a tendência do Brasil é continuar isolado da comunidade internacional enquanto a disseminação da nova variante continuar descontrolada.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Situação da COVID-19 em meados de abril no Brasil (74)

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    Tags:
    COVID-19, Brasil, pandemia, França, isolamento, novo coronavírus, comunidade internacional
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