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    COVID-19 no final de março de 2021 no Brasil (116)
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    O governo argentino decidiu adotar novas medidas restritivas para a entrada de brasileiros no país, tendo em vista o agravamento da pandemia da COVID-19 no Brasil.

    O presidente Alberto Fernández, citado pelo jornal Clarín, deve autorizar medidas de restrição de voos que entram e saem com passagem pelo Brasil. O objetivo é evitar uma segunda onda da COVID-19 no território argentino.

    Apesar das ações do governo argentino não serem especificamente direcionadas ao Brasil, fontes do jornal argentino afirmam que as medidas do governo têm como pano de fundo o temor em relação à variante brasileira do coronavírus, descoberta em Manaus.

    A professora de Relações Internacionais da ESPM-SP, Denilde Holzhacker, em entrevista à Sputnik Brasil, afirmou que, enquanto não houver vacinação em massa no mundo todo, a restrição de entrada de estrangeiros é uma "ferramenta" para conter a disseminação da COVID-19, sobretudo com a circulação de novas variantes e mutações do coronavírus.

    Ela destacou que maiores restrições do lado argentino não representam um isolamento do país na comunidade internacional, pois essas medidas fazem parte de protocolos adotados no mundo inteiro.

    "Não vejo como um isolamento da Argentina perante a comunidade internacional. Mostra uma preocupação, de um lado, importante que tem sido colocada por vários países sobre a situação no Brasil, de que o Brasil gera uma situação de ameaça ao não conseguir controlar a propagação do vírus com essa nova cepa. Então ela reforça esse processo", disse ela.

    A especialista acrescentou que, por outro lado, são ações que também estão sendo adotadas por diversos países, levando em conta justamente a propagação de novas variantes do coronavírus.

    Ao mesmo tempo, a professora de Relações Internacionais observou que as medidas geram um impacto econômico forte.

    "Essa é uma ação do governo argentino que tem um impacto econômico importante, considerando que os brasileiros representam um volume muito grande de turistas e eles já tinham feito a abertura da entrada de brasileiros exatamente para conseguir diminuir o impacto negativo na economia", explicou.

    Agentes da Saúde são vacinados com a vacina russa contra COVID-19, Sputnik V, em Buenos Aires, Argentina, 29 de dezembro de 2020
    © Sputnik / Presidência da Argentina
    Agentes da Saúde são vacinados com a vacina russa contra COVID-19, Sputnik V, em Buenos Aires, Argentina, 29 de dezembro de 2020

    De acordo com ela, é uma decisão que também coloca a Argentina em uma situação econômica delicada em termos de fluxo de turistas, mas que faz parte do processo da Argentina de tentar fazer uma política forte de isolamento, como vem buscando desde o início da pandemia.

    Ao comentar se o aumento das restrições aos brasileiros pode provocar alguma tensão entre os dois países vizinhos, a especialista disse que este cenário é possível, no entanto, ela destacou que "essas medidas já vêm sendo tomadas por outros países" e que as medidas da Argentina seguem protocolos sanitários. 

    "A situação brasileira é uma situação muito crítica, vem sendo monitorada por muitos países e há uma pressão forte para que o governo brasileiro tome ações mais efetivas no controle da propagação do vírus, então essa medida aumenta ainda mais a pressão e provavelmente tem outros vizinhos que vão começar a tomar ações como as da Argentina", afirmou. 

    A professora de Relações Internacionais disse ainda que, pela forma com que o governo brasileiro vem tomando ações na pandemia, é "provável que a gente tem ainda mais restrições para entrada de brasileiros em vários países".

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Brasil, Argentina, pandemia, novo coronavírus, COVID-19
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