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    Brasil lidando contra COVID-19 no final de janeiro de 2021 (92)
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    Após o Brasil ser considerado o pior exemplo de gestão da pandemia, infectologista ouvido pela Sputnik defendeu que o número de vítimas da COVID-19 no território nacional teria sido bem menor se país tivesse adotado o polêmico "tratamento precoce".

    O Brasil ficou com o último lugar entre 98 países em um recente estudo que analisou a gestão de governos nacionais da pandemia da COVID-19. Na pesquisa, realizada por um think tank baseado na Austrália, o país obteve apenas 4,3 pontos de 100, enquanto a Nova Zelândia, primeira da lista, somou 94,4.

    Desde a chegada do novo coronavírus ao Brasil, o governo brasileiro tem sido alvo de inúmeras críticas por conta de sua maneira de encarar o vírus, minimizando os riscos, recomendando medicamentos sem comprovação de eficácia ou desafiando as orientações das autoridades sanitárias. Atualmente, o país registra, pelo menos, 9.060.786 casos de pessoas infectadas pela COVID-19, com 221.676 mortes. 

    ​Assim como outros países de dimensões continentais e muito populosos, o Brasil tem, naturalmente, mais dificuldade para colocar em prática estratégias de combate ao vírus. E, além disso, as disputas políticas em meio à pandemia também teriam atrapalhado. Essa é a opinião do infectologista Edimilson Migowski, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

    Em entrevista à Sputnik Brasil, o médico destacou que houve, no país, um "conjunto de falhas", que culminou em um "excesso de mortes". Entre essas falhas, segundo ele, estariam problemas de controle da população e também a atuação de veículos de comunicação que "não ajudaram na orientação". 

    O motivo principal para o alto número de mortes pela COVID-19 no Brasil, no entanto, para Migowski, seria "a não introdução do tratamento precoce", não reconhecido pelas principais autoridades de saúde do país e do exterior.

    "Não tenho a menor dúvida de que, se nós tivéssemos medicado precocemente a população, o número de mortos no Brasil não seria superior a 20 mil e não estaria ultrapassando os 215, 220 mil, como os dados atuais", afirma, sem especificar que medicamentos, em sua opinião, poderiam ter sido utilizados.

    Migowski acusa a Organização Mundial de Saúde (OMS) de ter dado "diferentes orientações em diferentes momentos" e acredita que "não houve um consenso mundial" sobre a melhor forma de se combater a pandemia.

    "No Brasil, houve uma divisão, infelizmente, político-partidária. E deu no que deu. Se nós tivéssemos uma condução mais ordenada, mais harmônica, envolvendo os poderes dos estados, municípios, e o poder federal, provavelmente, teríamos um outro desfecho. Mas, também, o principal equívoco cometido no controle da COVID-19 — não só foi o principal erro, mas continua sendo o principal erro, porque esse erro não foi corrigido — é não assumir a medicação precoce como medida de contingenciamento da COVID-19, como medida de redução do agravo, das internações, sequelas e mortes." 

    ​Apesar de acreditar em tratamento precoce (não recomendado inclusive pela Sociedade Brasileira de Infectologia), defendido também por muitos negacionistas, o professor destaca que, por outro lado, defende também a vacinação contra a COVID-19, que, segundo ele, tem sido colocada em dúvida por algumas pessoas por motivos ideológicos.

    "Se nós tivéssemos acesso a essas duas ferramentas — repito, medicação precoce, não preventiva —, medicação precoce, iniciada logo que a pessoa tem sinais e sintomas da doença, e se eu tivesse a vacinação de uma forma mais disponível para a população como um todo, nós estaríamos em um outro mundo, em outra realidade." 

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Brasil lidando contra COVID-19 no final de janeiro de 2021 (92)

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    Tags:
    doença, surto, pandemia, medicação, tratamento, novo coronavírus, COVID-19, Brasil
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