22:03 06 Maio 2021
Ouvir Rádio
    Análise
    URL curta
    0 81
    Nos siga no

    Após a Receita Federal apresentar em 2020 o pior resultado em dez anos em termos de arrecadação, especialista ouvido pela Sputnik avaliou que, mantido o atual cenário, o Brasil terá "mais um ano muito difícil" em 2021.

    A arrecadação da Receita Federal do Brasil em 2020 teve uma queda real de 6,91% (queda nominal de 3,75%) em relação a 2019, encerrando o ano em R$ 1,479 trilhão em impostos e contribuições (R$ 1,526 trilhão quando corrigida pela inflação). A redução, atribuída principalmente a uma diminuição das atividades econômicas por conta da pandemia, deve piorar a situação fiscal do país.

    Para o Ministério da Economia, a queda, menor do que a esperada, já demonstra "o vigor da recuperação econômica" do Brasil, podendo ser considerada um resultado "excelente". No entanto, de acordo com especialistas, com essa perda de arrecadação, o governo perde também a sua capacidade de investimentos e deverá ter grandes dificuldades ao longo de 2021. 

    ​"Sem sombras de dúvidas, o Brasil, assim como qualquer outro país do mundo, sofreu profundamente com a pandemia. O fechamento das empresas e a diminuição da atividade empresarial geraram uma queda de arrecadação profunda, principalmente porque o governo federal não soube conduzir a economia brasileira no período de pandemia, com adiamento de poucos tributos e nenhum tipo de procedimento para o recolhimento antecipado ou mesmo parcelado. De modo que o contribuinte preferiu não efetuar o pagamento. E isso, sem sombra de dúvidas, piora a situação fiscal do país, uma vez que, sem a arrecadação, o governo perde a capacidade de investimentos", afirma, em entrevista à Sputnik Brasil, o advogado especialista em direito tributário Gabriel Quintanilha, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e do Ibmec.

    Segundo o especialista, o Brasil já tem dificuldades graves para atrair investimentos do exterior, devido à insegurança econômica e a problemas políticos frequentes que tendem a afastar possíveis investidores. Com problemas também na arrecadação, a tendência, segundo ele, é a de que situação do país se complique ainda mais. 

    "Outro ponto relevante foi o benefício emergencial que foi entregue à população. Sem um cálculo preliminar, o benefício foi, sem sombra de dúvidas, relevante. Porém, muito elevado para os cofres públicos brasileiros. E isso foi demonstrado claramente pela perda da capacidade do governo de manter o benefício. De modo que a manutenção de benefícios sociais ou mesmo estímulos econômicos, como novos benefícios fiscais ou programas de parcelamento, também saem profundamente prejudicados pela má gestão do período da pandemia." 

    ​Em 2021, mantido o cenário econômico e a perda de investimentos no Brasil, não há, de acordo com Quintanilha, boas perspectivas para a arrecadação federal, estadual ou municipal. 

    "Nós teremos mais um ano muito difícil no Brasil, tendo em vista que a vacinação não avança como deveria e a própria população tem uma perda de renda muito relevante com o desemprego que assola o país. Sem o benefício social de R$ 600 que foi pago à população, a capacidade de gasto também diminui. De modo que há uma tendência de redução da arrecadação. Comércio e serviços serão impactados pela ausência desse benefício, uma vez que a população desempregada, que não consegue se recolocar durante a pandemia, não terá capacidade de realizar despesas. E, com isso, haverá mais uma desaceleração econômica no país. Com isso, a tendência para 2021 é uma tendência mantida de queda da arrecadação." 

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Mais:

    Vacina, auxílio e regime fiscal vão determinar crescimento do Brasil em 2021, diz economista
    Datafolha: 69% dos que receberam o auxílio emergencial não encontraram outra fonte de renda
    'O que vai curar a economia é a vacinação', diz economista do setor de comércio brasileiro
    Brasil: imposto sobre fortunas entra em debate na Câmara, mas é rejeitado por Guedes
    Tags:
    pandemia, novo coronavírus, COVID-19, arrecadação, desaceleração econômica, 2020, Receita Federal, Ministério da Economia do Brasil, economia, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar