05:08 15 Junho 2021
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    Na terça-feira (12), o presidente francês, Emmanuel Macron, teceu comentários polêmicos sobre a soja brasileira e o desmatamento no país. Para discutir a questão, a Sputnik Brasil conversou com presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), que vê intenções políticas na fala de Macron.

    O presidente francês, Emmanuel Macron, publicou em suas redes sociais comentários sobre a dependência da soja do Brasil, afirmando que depender da produção brasileira estimula o desmatamento da Amazônia e indicando que deve diminuir o volume de compras do produto brasileiro.

    Em resposta, o vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, que chefia o Conselho da Amazônia, declarou em entrevista coletiva que o mandatário francês desconhece a produção de soja brasileira, acrescentando que a cultura do grão na região da Amazônia é "ínfima". Em nota publicada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a fala de Macron também foi rebatida, salientando o papel da legislação ambiental brasileira e acusando o presidente francês de produzir "desinformação".

    Para o empresário José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a visão do vice-presidente brasileiro é adequada e o comentário de Macron não condiz com a realidade.

    "Se você considerar que o Brasil é o maior produtor mundial de soja, o presidente da França não saber onde é produzida a soja brasileira fica muito estranho. Basicamente ele precisa aprender um pouquinho mais de geografia para que possa dar uma declaração que tenha conteúdo técnico", afirma o empresário em entrevista à Sputnik Brasil.

    Em 2020, o Brasil exportou US$ 27,1 milhões (cerca de R$ 140 milhões) em soja para a França, além de outros US$ 544 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões) em farelo de soja. Dados do ano anterior, publicados pela Embrapa, mostram que o Brasil exportou US$ 26,1 bilhões (cerca de R$ 135 bilhões) em soja na safra 2019/2020 e US$ 5,9 bilhões (cerca de R$ 30 bilhões) em farelo de soja no mesmo período.

    Na Europa, os países que mais importam a soja brasileira são os Países Baixos e a Espanha - que só perdem para a China no quadro geral de países importadores do produto brasileiro. O empresário José Augusto de Castro aponta que o volume francês de importação da soja brasileira mostra que Macron teve intenções estritamente políticas com o comentário.

    "Se fosse um grande importador de soja do Brasil, tudo bem. Mas, no ano de 2020, o Brasil exportou 83 milhões de toneladas e a França comprou do Brasil 27 mil toneladas. Ou seja, nada, absolutamente nada. Em termos de estatística mundial, nada", aponta Castro.
    Pedaços de troncos de árvores da Amazônia derrubadas ilegalmente na reserva Renascer, no Pará
    © AP Photo / Leo Correa
    Pedaços de troncos de árvores da Amazônia derrubadas ilegalmente na reserva Renascer, no Pará

    O Brasil é hoje o maior produtor de soja do mundo, tendo ultrapassado neste ano os Estados Unidos, o antigo maior produtor do grão. A soja é também o principal produto de exportação do Brasil. Para o presidente da AEB, a liderança brasileira no setor continuará por um longo período.

    "Pelo menos por dez anos o Brasil vai continuar liderando a produção mundial [de soja] atendendo a crescente demanda internacional e fazendo com que o Brasil mais e mais seja reconhecido internacionalmente como um país competente em termos de produção de soja", conclui.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Países Baixos, China, Brasil, Antonio Hamilton Mourão, Emmanuel Macron
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