03:51 28 Janeiro 2021
Ouvir Rádio
    Análise
    URL curta
    Por
    COVID-19 no mundo no início de janeiro de 2021 (75)
    271
    Nos siga no

    O Índice de Confiança Empresarial (ICE), divulgado na última segunda-feira (4), mostrou uma queda de 0,4% em dezembro de 2020. O superintendente de Estatísticas Públicas do FGV Ibre conversou com a Sputnik Brasil sobre as principais causas deste resultado.

    O estudo que mede o Índice de Confiança Empresarial (ICE), divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mostrou que, após uma tendência de alta iniciada em julho, o ICE recuou 0,7% em médias móveis trimestrais. Em relação a novembro, a queda foi de 0,4%, chegando a 95,2 pontos. 

    O Índice de Confiança Empresarial mede o otimismo em relação à evolução da demanda a partir dos índices de confiança de quatro setores: indústria, serviços, comércio e construção.

    ​O superintendente de Estatísticas Públicas do Instituto Brasileiro de Economia da FGV Ibre, Aloisio Campelo Junior, em entrevista à Sputnik Brasil, destacou que a recuperação da confiança empresarial no Brasil foi relativamente rápida durante a pandemia até o mês de setembro, quando chegou a ficar superior ao nível anterior à crise sanitária. No entanto, a perspectiva de uma segunda onda de COVID-19 e os atrasos do Brasil em relação à vacinação fizeram com que o índice sofresse uma queda.

    "[A confiança empresarial] vem caindo nos últimos meses e refletindo já alguma desaceleração, e agora em dezembro houve uma preocupação com o fim destes pacotes emergenciais que foram criados em 2020, o que fez com que o Brasil piorasse muito a sua situação fiscal. E há a preocupação de uma perspectiva de uma nova onda de COVID-19 no Brasil, os últimos números são muito ruins e o Brasil está atrasado na perspectiva de uma campanha de vacinação", afirmou.

    O estudo do FGV Ibre revelou que a confiança da Indústria cresceu 1,8 ponto em dezembro, mantendo uma tendência de alta, enquanto o índice do Comércio teve o pior resultado, registrando a terceira queda consecutiva, com um recuo de 1,8 ponto no último mês de 2020. Já a confiança no setor de Serviços voltou a subir em 0,8 ponto após dois meses de queda, enquanto a confiança na Construção ficou, aumentando 0,1 ponto.

    De acordo com o superintendente de Estatísticas Públicas, já havia no radar das empresas a perspectiva de que a partir da virada do ano a situação seria mais complicada em função do fim do período de concessão dos auxílios emergenciais.

    "Além disso, a gente teve que enfrentar os ajustes da parte do governo, já que a dívida pública aumentou bastante, beirando a 100% do PIB. E isso é um risco que o mercado tem avaliado. Então já vinha essa preocupação das empresas e agora em dezembro a gente nota também que há uma preocupação com a desaceleração em função das perspectivas da evolução da doença", complementou o especialista.

    Outro fator citado por Aloisio Campelo para justificar a queda da confiança empresarial foi o significativo aumento de poupança por precaução no país no momento em que houve a injeção de auxílios emergenciais.

    "Agora podemos ver que a intenção do consumidor continua cautelosa, ainda mais que a gente tem a onda de COVID-19 pela frente, então esse dinheiro não vai voltar, e quando voltar não vai voltar todo para o consumo, então já há uma preocupação de quão forte pode ser uma desaceleração da economia nesse primeiro semestre, mais especificamente nesse primeiro trimestre", argumentou.

    O especialista acrescentou que há um clima de grande incerteza no setor empresarial por conta da questão fiscal, diante da expectativa se o governo vai conseguir manter o teto de gastos e o ritmo de recuperação da economia, tendo a pandemia como pano de fundo para este cenário.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    COVID-19 no mundo no início de janeiro de 2021 (75)

    Mais:

    Economista: desmatamento e agressividade ideológica cobrarão preço alto do Brasil
    Economista: anunciado por Bolsonaro, reajuste do salário mínimo não será aumento real
    IOF volta a vigorar no Brasil após queda para ajudar no combate ao efeito da COVID-19 na economia
    Pandemia trouxe pobreza, mas crise econômica e social já existia no Brasil, aponta sociólogo
    Tags:
    indústria, crescimento, economia, empresas, COVID-19
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar