00:57 19 Abril 2021
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    A relação entre o presidente Jair Bolsonaro e o chamado Centrão foi marcada por uma aproximação durante este ano. A Sputnik Brasil conversou com cientista política que falou sobre as perspectivas para este "casamento".

    Eleito com um discurso hostil ao que chamava de "velha política" e com críticas ao Centrão, o poderoso grupo de partidos que geralmente garante a maioria no Congresso Nacional, o presidente Jair Bolsonaro hoje se alinha com esse bloco parlamentar na tentativa de garantir governabilidade.

    Uma das características do grupo da Câmara dos Deputados chamado de Centrão é a aproximação do governo em períodos distintos em trocas de cargos e verbas governamentais.

    A cientista política e pesquisadora da ESPM, Karla Gobo, em entrevista à Sputnik Brasil, observou que quando Bolsonaro assumiu a Presidência em 2019, parece que ele criava uma "expectativa de que ele conseguiria governar com as bancadas, apesar dos partidos". De acordo com a especialista, essa expectativa não aconteceu.

    "É muito curioso a gente ver essa aproximação do nosso presidente, porque justamente toda a campanha dele foi em cima da ideia de que ele traria algo novo, uma nova forma de articulação, veio de um movimento que já vinha desde 2016 de uma criminalização da política, ele se elege dentro dessa onda da antipolítica", afirmou Karla Gobo.

    Segundo a cientista política, essa aproximação com o Centrão se dá justamente por uma necessidade.

    Ao fazer uma análise sobre as perspectivas que podem resultar da aproximação do governo Bolsonaro com o Centrão, a pesquisadora da ESPM considerou três cenários possíveis para este "casamento".

    "O cenário que está colocado para os próximos dois anos é este: ou o presidente consegue se manter razoavelmente bem e o casamento com o Centrão continua feliz ou esse casamento começa a entrar em crise e vai se rediscutir os termos de apoio para este casamento continuar. Ou, enfim, vai acontecer um divórcio", disse.

    Presidente Jair Bolsonaro participa, ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de solenidade de posse nos novos procuradores do Ministério Público
    © Folhapress / Pedro Ladeira
    Presidente Jair Bolsonaro participa, ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de solenidade de posse nos novos procuradores do Ministério Público

    Karla Gobo observou que a manutenção da proximidade de Bolsonaro com o Centrão depende "se a política estiver correndo razoavelmente bem", acrescentando que se o presidente "conseguir o apoio da opinião pública, ele pode continuar tendo o apoio do Centrão, que vai mobilizar a sua força para apoiá-lo".

    "Em um segundo cenário, pode ter uma piora das contas, do comércio exterior, se começar a perder apoio da opinião pública, pode resultar em uma perda do apoio político", argumentou.

    Neste contexto, a especialista declarou que o Centrão pode buscar cobrar mais caro pelo apoio, ou seja, cobrar mais trocas de cargos, maior participação do governo para continuar apoiando o governo, ou "vai começar a abandonar o nosso presidente e se aproximar de outros partidos que têm uma visão de lançar um candidato em 2022".

    Eleições 2022

    Ao comentar as perspectivas para as eleições 2022, a cientista política afirmou que o apoio popular do qual goza o presidente Jair Bolsonaro é um dos aspectos que pode concretizar uma relação mais estreita com o Centrão.

    De acordo com ela, Bolsonaro é um "candidato interessante para os partidos", porque ele é um presidente que está girando em torno de 30% de apoio, o que, dada a atual fragmentação partidária, este apoio "colocaria ele no segundo turno, então ele é um candidato interessante".

    O presidente Jair Bolsonaro desfila em cima de um cavalo durante manifestação de seus apoiadores, em Brasília.
    © AP Photo / Andre Borges
    O presidente Jair Bolsonaro desfila em cima de um cavalo durante manifestação de seus apoiadores, em Brasília.

    A especialista lembrou que "nenhum presidente desde a redemocratização que tentou a reeleição perdeu".

    "A possibilidade de um candidato ser reeleito é grande. Então há um interesse dos partidos do Centrão pelo nosso presidente. É possível que esse casamento que, por enquanto, não está no papel, seja sacramentado com a filiação do presidente a um desses partidos", completou Karla Gobo.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    centrão, governo, Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro, Bolsonaro, Brasil
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