15:31 17 Abril 2021
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    Em entrevista à Sputnik Brasil, a colombiana Maria Elena Rodríguez, professora de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), explica como são investidos os empréstimos do Banco do BRICS e comenta o possível recebimento de dois bilhões de dólares (10,3 bilhões de reais) por parte do Brasil em 2021.

    Nesta segunda-feira (21), a diretora do banco do BRICS para Brasil e Américas, Cláudia Prates, disse que o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) deve conceder empréstimos ao Brasil em 2021, em valores que podem chegar a até dois bilhões de dólares (10,3 bilhões de reais).

    "A gente espera para o ano que vem um cheque de 1,5 a dois bilhões de dólares [7,7 a 10,3 bilhões de reais] para o Brasil com foco em infraestrutura em geral", disse Prates, segundo a Reuters.

    A colombiana Maria Elena Rodríguez, professora de relações internacionais da PUC-Rio, explica que os valores doados pelo NDB devem, por exigência do banco, ser investidos em projetos de desenvolvimento sustentável.

    Ela aposta que, uma vez recebido pelo Brasil, o recurso deve ser aplicado em infraestrutura em diversos municípios do país, promovendo melhorias como novas redes de saneamento básico e mobilidade urbana. Os setores de energia, tecnologia da informação, saúde e educação também podem receber financiamento.

    "As questões sociais começaram a ganhar muito importância neste ano, sobretudo por conta da crise econômica", avalia Rodríguez.

    Rodríguez explica que os empréstimos feitos pelo NBD podem ser aplicados de duas formas distintas: pela negociação direta com empresas privadas ou por linhas de financiamento de bancos. Quando o empréstimo é feito ao Brasil, a maioria das vezes é por meio de acordo feito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

    "O Banco do BRICS faz crédito para o BNDES, que até hoje é o maior operador dos recursos [no Brasil] que vêm deste banco. O BNDES abre uma linha de financiamento que canaliza recursos para setores como água, saneamento, energia e transporte, tanto para agentes do setor privado como do setor público", explica Rodríguez.

    Como exemplos de financiamento direto para empresas privadas no Brasil, Rodríguez cita empréstimos feitos para a Vale, que fez obras em linhas férreas e em portos no Pará e no Maranhão, e para a Petrobrás, que aplicou o dinheiro no programa de redução de emissão de gases poluentes em refinarias do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.

    Presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, discursa em encontro promovido pela presidência da Rússia do bloco, 16 de novembro de 2020
    © Foto / VEB.RF
    Presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, discursa em encontro promovido pela presidência da Rússia do bloco, 16 de novembro de 2020

    Brasil 'ignorado' pelo Novo Banco de Desenvolvimento

    Receber empréstimo do banco do BRICS não é, no entanto, algo frequente para o Brasil. Até o início de 2020, o Brasil era o último dentro dos países do bloco em número de projetos aprovados e em valor de investimentos recebidos. Isto se deve, segundo a especialista, por projetos de pedido de empréstimo mal conduzidos.

    "O Brasil era criticado por ter um desempenho muito ruim em termos de apresentar projetos bem estruturados para o banco. Eram pedidos muito mal feitos, e o banco acabava ignorando os pedidos de financiamento do Brasil", diz Rodríguez.

    No início deste ano, no entanto, o Brasil passou a receber maiores valores do NDS. Rodríguez credita este aumento a dois fatores: à chegada do novo diretor do Banco do BRICS, Marcos Troyjo, que é brasileiro, e à apresentação de melhores projetos.

    "O Brasil, muito através do BNDES e das grandes empresas, começou a apresentar muito mais projetos desta linha de desenvolvimento e sustentabilidade", avalia Rodríguez.
    A cidade de Xangai, na China, que abriga a sede do Novo Banco de Desenvolvimento, o chamado Banco do BRICS
    © AFP 2021 / JOHANNES EISELE
    A cidade de Xangai, na China, que abriga a sede do Novo Banco de Desenvolvimento, o chamado Banco do BRICS

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    Tags:
    Novo Banco de Desenvolvimento, BRICS, empréstimo, investimento, Brasil, BNDES
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