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    Em entrevista à Sputnik Brasil, virologistas da UFMG defendem que seria inviável levar para todo o país vacinas que exigem temperaturas baixíssimas e explicam que imunizantes com doses múltiplas podem ser mais caros.

    O Ministério da Saúde falou, nesta terça-feira (1º), sobre o plano de vacinação contra a COVID-19 no Brasil. Além de anunciar quais grupos terão prioridade na imunização, o ministro Eduardo Pazuello falou também que a pasta dará prioridade para vacinas que possam ser armazenadas a "temperaturas de 2 a 8 graus" e que sejam administradas em dose única.

    Duas das vacinas que recentemente anunciaram sua eficácia necessitam de temperaturas muito frias para serem estocadas: a da Pfizer, que exige -70 °C, e a da Moderna, que requer -20 °C. Outras duas requerem a administração de mais de uma dose, como a Sputnik V, da Rússia, e a CoronaVac, da China. De acordo com o anúncio do Ministério da Saúde, no entanto, o Brasil parece não tratar como prioridade a compra destas vacinas.

    Seria esta uma decisão acertada do governo federal? Segundo especialistas da UFMG, a resposta – considerando a realidade brasileira – é sim.

    "Como que vamos levar uma vacina que precisa de temperatura de -70 °C para o Amapá, para Manaus, para o interior do Nordeste? São vacinas que têm se mostrado com taxa de eficácia elevada, mas que do ponto de vista nacional é difícil dizer que dá para adotar vacinas como estas", diz Flávio Guimarães da Fonseca, virologista do Centro de Tecnologia de Vacinas e pesquisador do Departamento de Microbiologia da UFMG.

    Flávio explica que as próprias empresas desenvolvedoras das vacinas têm trabalhado em um método para transportá-las, como o sistema de cooler com gelo seco, apresentado pela Pfizer. Os especialistas, no entanto, se mostram céticos quanto à adoção destes métodos em todo o território brasileiro, uma vez que eles tornam "a distribuição complexa" e "encarecem a vacina".

    "Se começa a complicar, como por exemplo, exigir freezer que armazene a -20 °C, já implica a outro gasto e também, a equipar todos os lugares do país com refrigeradores deste tipo", diz Giliane de Souza Trindade, microbiologista e virologista da UFMG.
    Vacina da Pfizer contra COVID-19
    © REUTERS / Dado Ruvic
    Vacina da Pfizer contra COVID-19

    Os especialistas também concordam com o Ministério da Saúde quanto à adoção de vacinas de dose única. Giliane avalia que vacinas deste tipo podem ser uma opção "interessante" para o Brasil, uma vez que exigem menos gasto em materiais como seringa e agulhas e tendem a desenvolver a imunidade mais rapidamente que as vacinas de doses múltiplas.

    Flávio adiciona mais um motivo: a corrida mundial pelos imunizantes. Ele acredita que, quanto menor for o número de vacinas necessárias, mais fácil será conseguir os imunizantes.

    "A melhor alternativa é conseguirmos uma vacina com dose única. Estamos falando de uma vacina com demanda global, que vai gerar fila no mundo inteiro", afirma Flávio.

    Brasil não deve descartar nenhuma vacina, segundo especialista

    Apesar de concordar com a decisão do Ministério da Saúde, Flávio acredita que o Brasil não deve fechar os olhos para nenhuma vacina. Por essa razão, ele rejeita qualquer tipo de politização da vacina contra a COVID-19.

    "Se uma vacina tem eficácia aceitável, se está disponível para nós, eu acho que é acertada [...]. Agora, se a gente tem outras opções também e não usa estas opções por uma questão política, aí eu acho um erro. Porque nós vamos precisar de todas as vacinas que conseguirmos", afirma o especialista.

    Enquanto o Ministério da Saúde prepara o plano de vacinação da população brasileira, os números da pandemia no Brasil seguem em alta. A média móvel de novos casos apresentou nesta terça-feira (1º) uma variação positiva de 35%. É a maior média móvel no Brasil desde o dia 6 de setembro.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    novo coronavírus, vacina, COVID-19, entrevista, saúde
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